Eu, Estudante

Associação dos Docentes da UnB convoca categoria para assembleia

Na reunião, que ocorrerá em 14 de maio, os professores devem definir se paralisam ou não as atividades acadêmicas

Após ameaça do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) de ampliar para 100% o percentual de absorção da Unidade de Referência de Preços (URP), os docentes da Universidade de Brasília (UnB) indicaram greve na assembleia da próxima quinta-feira (14/5). Também foi aprovada uma agenda de mobilização da categoria entre 11 e 15 de maio.

De acordo com o 1° tesoureiro da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), Pedro Mandagará, o momento é extremamente delicado. “Mesmo sem qualquer acordo firmado com a categoria e sem trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) impôs a absorção de 60%, e ainda ameaça ampliar de forma integral”, disse. “A categoria entendeu a necessidade de intensificar a mobilização e avançar no debate”.

Durante a assembleia de ontem, a diretoria da ADUnB apresentou atualizações sobre as negociações com o governo federal. Na terça-feira (5), representantes do MGI, da universidade e do sindicato se reuniram, em encontro solicitado pela reitoria da UnB, para discutir os impactos da absorção da URP sobre promoções e progressões na carreira docente.

Na reunião, a universidade apresentou questionamentos técnicos sobre como a medida pode afetar professores que tiveram mais de uma progressão funcional e pediu a reabertura do sistema da folha de pagamento para permitir a reversão da absorção aplicada até agora.

O sindicato reforçou reivindicações já apresentadas anteriormente, como a inclusão de docentes que ingressaram a partir de novembro de 2023 no pagamento da URP, o fim dos descontos aplicados a aposentados e pensionistas e a suspensão da absorção até a conclusão das negociações ou decisão definitiva do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta, o MGI informou que o sistema de pagamentos só será reaberto para aplicar a absorção integral de reajustes, promoções e progressões. Segundo o ministério, a medida está relacionada a decisões técnicas e jurídicas envolvendo o Tribunal de Contas da União (TCU).

Além da possibilidade de ampliar a absorção para 100%, o governo também indicou que poderá avaliar a cobrança retroativa desses valores a partir de março de 2025. A possibilidade gerou forte reação entre os docentes, que cobraram uma proposta formal do ministério.

Diante do cenário, a categoria decidiu intensificar a mobilização e avaliar, na próxima assembleia, se irá ou não deflagrar greve. Até a próxima semana, estão previstas reuniões com docentes em ativa, aposentados e membros do comitê de mobilização, além de novos encontros com a reitoria da UnB.

Confira a agenda prevista pelo sindicato:

Segunda-feira (11) — Reunião do Comitê de Mobilização (Sala de Reuniões da ADUnB, às 14h);
Segunda-feira (11) — Reunião com docentes que ainda não recebem a URP (Sala de Reuniões da ADUnB, às 16h);
Terça-feira (12) — Reunião com aposentadas e aposentados (Sala de Reuniões da ADUnB, às 16h);
Terça-feira (12) e quarta-feira (13) — Dias de mobilização da categoria;
Quinta-feira (14) — Assembleia com votação do indicativo de greve (Auditório da ADUnB, às 15h30);
Sexta-feira (15) — Reunião com a Reitoria (a confirmar).

*Estagiário sob a supervisão de Ana Sá