postado em 25/01/2026 06:00 / atualizado em 25/01/2026 06:00
Luiz Felipe Felix se identificou com a área de trabalho na faculdade, onde cursa serviço social
- (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES) é um dos mais aguardados no Distrito Federal. Com 1.197 vagas confirmadas pelo portal institucional da secretaria, concurseiros esperam a autorização efetiva do certame desde 2024. O que anima professores e estudantes é a notícia de que o aval para o edital virá até o primeiro trimestre deste ano. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural (Sindsasc), após reunião com a Secretaria de Economia do Distrito Federal.
A base mais sólida sobre o certame parte da própria Sedes-DF. Em nota publicada em 2024, a instituição anunciou as quase 1.200 vagas, com lotação dividida entre a Sedes, a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (Sejus) e a Secretaria da Mulher. A pasta informou que os trâmites internos, como a formação de comissão e a posterior contratação da banca via licitação, precedem a publicação do edital, que até hoje segue sem data definida.
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De acordo com os professores do Gran e IMP Concursos Aline Menezes e Douglas Gomes, os candidatos devem ficar atentos aos próximos passos: ajustes institucionais; conclusão das análises preliminares; preparativos para a licitação da banca e a aguardada autorização do Governo do Distrito Federal (GDF). O professor Gomes ainda ressalta a importância do estudo antecipado: “Após a publicação do edital, o tempo para a aplicação da prova, geralmente, é de dois a três meses, o que é um período curto para quem deseja se preparar bem. Por isso, é recomendado começar a estudar o quanto antes.”
A professora Menezes ressalta que o concurso é uma solicitação dos próprios servidores, pelo grande deficit na área de assistência social: “Isso impacta diretamente a população do DF, no acesso aos serviços de assistência social e aos serviços que envolvem a o sistema de alimentação e nutrição da capital.”
Cargos e valores
As vagas são para cargos de técnico e especialista em assistência social, divididas entre nível médio e superior. “Para nível superior, são esperados cargos como assistente social, psicólogo, pedagogo e bacharel em direito”, explica Menezes. “A remuneração inicial para técnico, hoje, está uma média de R$ 4.752, para 30 horas semanais, e para especialista, cerca de R$ 8.904, com 40 horas semanais. É uma carreira que também tem gratificações e progressões. Então, esses valores são introdutórios”, completa.
As previsões são feitas com base em planejamentos orçamentários e no último concurso da área, mas os detalhes das especializações, quantitativo por cargo e salário são confirmados somente no lançamento do edital. Contudo, a oferta de 1.197 vagas permanece como o ponto focal, sendo ratificada tanto em manifestações oficiais prévias quanto no monitoramento constante do tema, por professores e especialistas da área.
Preparação
Bruna Pereira, 25 anos, é formada em ciências biológicas. Moradora de Ceilândia, viu no concurso público a oportunidade que não estava conseguindo na iniciativa privada: “O mercado de trabalho é complicado. Hoje, é difícil encontrar emprego na minha área, mas a remuneração na iniciativa privada também me fez pensar no setor público.” O salário e a grande quantidade de vagas a atraíram para o concurso da Sedes-DF, a principal opção dela. Para se manter financeiramente, começou a vender doces e conciliar o trabalho autônomo com os estudos para o concurso. E enfrenta essa rotina há dois anos. “Depois que comecei a trabalhar, percebi que atrapalha um pouco o cronograma de estudos. Existe a visão de que a preparação é algo simples, só que precisa de foco. E, às vezes, algumas coisas podem desviar nossa atenção e demandar muitas horas do nosso tempo”, explica. Bruna comenta que é importante concentrar os esforços nos conteúdos de legislações de assistência social, na Lei Orgânica e nas questões de políticas públicas e assistência social, já que é a temática do órgão.
Para quem não começou, ainda há tempo de estudar para o concurso. Bruna explica que, como a autorização do edital ainda não saiu, é o melhor momento para começar. “A dica principal é constância. Começar e não parar. Mesmo que aconteçam dias difíceis, continuar estudando e adquirir o hábito do estudo, ainda que sejam poucas horas no dia”, aconselha Bruna.
Luiz Felipe Félix, 23, se interessou pela área desde a graduação. Estudante do sexto período de serviço social da Universidade de Brasília (UnB), Luiz trabalhou em eventos do setor e foi incentivado por um professor para estudar para o concurso da Secretaria de Desenvolvimento. “Depois de trabalhar como monitor na Conferência Nacional de Assistência Social (Cnaes), despertou-me para trabalhar com isso e surgiu a vontade de estudar para passar em concurso”, explica Luiz. Decidiu focar no certame pelo grande número de vagas e pela oportunidade de trabalhar na área de assistência social.
Para conciliar trabalho, a faculdade e o sonho da aprovação, Luiz costuma estudar nos horários que consegue, como no ônibus, nas voltas e idas até a UnB: “A meia hora, quarenta minutos do transporte público é uma videoaula a que assisto. Todo tempo livre que dá, eu estudo.” A expectativa está em fazer a prova este ano. “Os funcionários estão sobrecarregados, já que existe um deficit grande de servidores desde o último concurso, em 2018. Acredito que a autorização sai até março e a aplicação nos últimos meses do ano”, aposta.
Aos 37 anos, o designer Bruno Ribeiro decidiu mudar o rumo de sua carreira ao iniciar a preparação para concursos públicos no ano passado: “Não estava muito feliz com minha profissão.” Após uma tentativa inicial para a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Bruno, agora, dedica foco total à SEDES- -DF. Formado em design gráfico (tecnólogo), ele está de olho na vaga de nível médio para técnico em assistência social, mas considera, também, disputar para nível superior. Para Bruno, o sucesso no processo depende de organização e de um bom material de estudo.
Último concurso
O último concurso da área ocorreu em 2018, mas por problemas técnicos teve sua aplicação concluída em 2019. O professor Gomes conta que preparou alunos para entrar na antiga Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal, a Sedestmidh, que hoje são servidores públicos e atuam diretamente como assistentes sociais. “Era uma secretaria muito antiga, que vinha da junção de outras do setor”, explica. O certame também ofereceu um expressivo volume de vagas e a constituição de um cadastro reserva robusto, o qual, embora integralmente aproveitado, não foi suficiente para suprir a carência no setor.
A docente Menezes afirma que a resolução do problema de escassez de servidores no segmento está na mudança de perspectiva da sociedade, para valorizar a importância dos cargos na assistência social: “É necessário pensar na área como uma política pública, e não algo que seja voltado a atividades assistencialistas e caritativas. A compreensão de que essa política faz parte da seguridade social e precisa ser tratada como tal, independentemente de governo X ou Y.” Salienta, ainda, que a percepção coletiva deve transcender o programa Bolsa Família: “A mudança sobre o que significa uma política de assistência social deve ser cultural, para explicar o que é garantir o básico para população, para além do programa Bolsa Família, já que a situação de assistência social não se reduz apenas ao programa.
Como estudar?
Os professores explicam que os primeiros passos para iniciar na caminhada dos estudos estão na organização. É necessário se basear no edital da última edição, de 2018, e, a partir dele, entender quais serão os possíveis cargos, analisar os requisitos de especialista e técnico para identificar onde o candidato se enquadra, além de definir as matérias que serão vistas. “As matérias cobradas antes provavelmente não se alterarão muito, e servem de base para o estudo. A novidade pode vir em forma de mais questões ou até uma prova no modelo discursivo”, destaca Aline.
O professor Douglas Gomes salienta a importância de se preparar para além da banca, porque a escolha definitiva ainda não foi feita: “Quem deseja se preparar bem para conhecimentos gerais, começa entendendo o básico do direito, especialmente o constitucional, administrativo e foca em língua portuguesa. Os conhecimentos específicos são bem atrelados à política de assistência social, assim como a legislação e os estatutos: da criança e do adolescente, da pessoa idosa, da pessoa com deficiência e os planos de governo que se vinculam a cada segmento social, especialmente das minorias.” Também finaliza com a importância da redação para a classificação do candidato: “O tema da redação vai pedir argumentos para além de informações soltas, é preciso revelar para o avaliador que você conhece a política de assistência social. Isso pode ser um desafio para quem desconhece a pauta.”
O que vai cair
O professor Douglas Gomesdestaca algumas dasmatérias principais paracomeçar os estudos
» Língua Portuguesa
» Atualidades do Distrito Federal
» LODF (Lei Orgânica do Distrito Federal)
» Noções de Direito Constitucional
» Direito Administrativo
» Assistência Social (desde a Constituição Federal até a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a Política Nacional de Assistência Social (PNAS), a Norma Operacional Básica (NOB) do Sistema Único de Assistência Social (SUAS)e resoluções do Conselho Nacional de Assistência Social).
» Estatutos específicos:Estatuto da Criança e doAdolescente, Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei Maria da Penha, Estatuto da Pessoa Idosa.
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá.