DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Professora estimula meninas negras a seguir carreira na área de ciência

Sofia Sellani*
postado em 08/03/2026 06:00 / atualizado em 08/03/2026 06:00
Professora Anita Canavarro está à frente do projeto Investiga menina, que incentiva
estudantes, sobretudo negras, a escolherem carreiras voltadas para a ciência -  (crédito: Arquivo Pessoal)
Professora Anita Canavarro está à frente do projeto Investiga menina, que incentiva estudantes, sobretudo negras, a escolherem carreiras voltadas para a ciência - (crédito: Arquivo Pessoal)
 
Há 15 anos, o projeto Investiga Menina vem mudando a realidade de diversas adolescentes no estado de Goiás. Criado por Anita Canavarro, professora titular do Instituto de Química da Universidade Federal do Goiás (UFG), o objetivo é incentivar meninas, sobretudo negras, a escolherem carreiras voltadas para a ciência. A ideia é que as alunas interessadas em fazer iniciação científica saiam da escola “inseridas”  na área desde o ensino médio, agregando valor ao currículo das futuras profissionais. 
Fornecendo acompanhamento pedagógico em sala de aula nas disciplinas de química, física, biologia e matemática para as turmas de ensino médio, apesar de fornecer apoio para todos os estudantes, as 100 bolsas disponíveis são para meninas negras. A ideia é trazer especialistas negras da contemporaneidade para complementar os conteúdos.  
Assim, a página no Instagram @investigamenina também conta com materiais complementares e vídeos institucionais de cientistas para contar sobre a carreira dela e divulgar trabalhos. Hoje, o projeto atende cerca de 4 mil estudantes da escola básica do estado de Goiás e conta com cerca de 170 pessoas envolvidas. 
Nascida na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, Anita Canavarro sempre esteve envolvida com a ciência e com a ideia de transformar vidas de crianças e jovens “parecidas” com ela. Antes de ser professora, trabalhava com tratamentos de doenças negligenciadas para a população negra, e depois decidiu que estava na hora de ir para a docência. “Foi  uma maneira de contribuir com a sociedade brasileira, uma vez que a docência e o estudo mudaram a minha vida”, disse. “Ajudar essas meninas a projetar carreiras é muito gratificante, principalmente quando o currículo científico é um currículo baseado na descoberta de homens brancos.” 
Segundo a professora, a presença de mulheres na ciência é essencial, já que agrega valor e deixa de partir de uma visão única e masculina. “Se você enxerga os dados a partir de visões só de homens, essas visões são empobrecidas, já que representa um grupo único da população brasileira”, relatou. 
O sonho de Anita, agora, é continuar tendo financiamento para manter a estrutura e parcerias “de pé”. Para a professora, o apoio que recebe de toda a equipe é fundamental. “Agradeço a todos que trabalham comigo, sem essa equipe eu não poderia conduzir as pesquisas.”(SS) 
*Estagiária sob a supervisão de Ana Sá 

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