Serviço Público

Eleições e Copa do Mundo podem adiar concursos para preenchimento de mais de 24 mil vagas no Executivo Federal

Eleições e Copa do Mundo podem adiar certames dos novos cargos autorizados pelo Senado, e que aguardam sanção. São mais de 24 mil vagas no Poder Executivo. Maior parte das oportunidades são para a educação

Victor Rogério*
Gabriela Braz
postado em 29/03/2026 06:00 / atualizado em 29/03/2026 06:00
 Stefany Serra, 25 anos, decidiu aproveitar este ano para estudar e conquistar uma vaga  -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA Press)
Stefany Serra, 25 anos, decidiu aproveitar este ano para estudar e conquistar uma vaga - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

Após aprovação, pelo Senado, do projeto de lei que cria mais 24 mil cargos públicos no Executivo Federal, a divulgação dos editais pode ser adiada devido às eleições presidenciais e à Copa do Mundo, segundo a Associação de Apoio aos Concursos e Exames (Aconexa). O PL nº 5.874/2025, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PT), cria mais de 24 mil cargos públicos e reestrutura carreiras de diversas áreas no Poder Executivo. Apenas à àrea de educação, são 3,8 mil vagas para professores de ensino superior e mais de 9,5 mil para os institutos federais de educação, ciência e tecnologia. O projeto também prevê 225 novos cargos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e 1.500 vagas  no Ministério da Gestão e da Inovação (MGI). 

Concursos adiados 

A aprovação do texto gerou expectativa entre concurseiros que sonham com um cargo público. Para especialistas, as eleições deste ano, junto à Copa do Mundo, reduzem a possibilidade dos editais serem publicados nos próximos meses. “Em anos de eleição presidencial, a administração pública costuma adotar maior cautela na abertura de novos concursos, especialmente em razão das restrições impostas pela legislação eleitoral e pela necessidade de controle de gastos público”, explica Marco Antônio Araújo Jr., presidente da Aconexa. 
Leia também:
“Já eventos de grande porte, como a Copa do Mundo, também costumam influenciar a agenda política e administrativa do governo. Por isso, o mais provável é que muitos processos de autorização, planejamento e definição de vagas avancem gradualmente, com reflexos mais concretos nos próximos ciclos administrativos,embora seja possível que alguns editais sejam publicados ainda neste ano”, finaliza 
Além disso, o projeto ainda requer planejamento orçamentário e, por isso, não há previsão de quantos cargos serão ofertados para cada área de atuação. “Parte dessas vagas é para regularizar estruturas administrativas e reorganizar carreiras já existentes dentro do Poder Executivo federal. Assim, os cargos se distribuem entre diferentes órgãos e áreas da administração pública e ainda dependerão de regulamentação e planejamento orçamentário para que eventuais concursos sejam efetivamente autorizados. Portanto, não há, neste momento, uma previsão concreta de quantas vagas serão abertas em concursos nem a definição detalhada de todos os cargos que poderão ser ofertados”, avalia. 

Unificado 

Durante coletiva de imprensa, a ministra do MGI, Esther Dweck, considerou improvável a criação de um concurso unificado para professores, mas destacou que o governo federal estuda a possibilidade de criar um exame conjunto para técnicos de universidades e institutos federais. Segundo a ministra, a ideia ainda está em fase inicial de discussão entre MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). 

Entenda o projeto 

O Projeto de Lei nº 5.874/2025 uniu em um único texto os conteúdos do PL nº 5.893/2025, PL nº 6.170/2025 e do PL nº 1/2026, reunindo mais de 20 temas relacionados às relações de trabalho no serviço público federal. Segundo o MGI, a proposta tem como objetivo modernizar a gestão de pessoas no Poder Executivo e transformar cargos obsoletos em mais alinhados com as necessidades do Estado. 
Outra novidade inclusa no PL é a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertãoPB).
Ao todo, as medidas alcançam mais de 200 mil servidores de diferentes carreiras, incluindo pessoas ativas e aposentadas, com o objetivo de dar maior coerência à organização do sistema de carreiras, reduzir assimetrias e fortalecer áreas estratégicas para o funcionamento dos órgãos públicos. 
O texto foi aprovado sem mudanças em relação à versão da Câmara dos Deputados, que havia dado aval à proposta no início de fevereiro. A medida, que aguarda aprovação do presidente Lula, também reestrutura carreiras do funcionalismo e concede reajustes a diversas profissões.  
Segundo estimativas do MGI, o impacto fiscal das medidas pode chegar a R$ 5,3 bilhões em 2026. A votação foi acompanhada pela ministra da Gestão, Esther Dweck.   

Disciplina e estratégia 

Há 10 anos, Natália Rayssa estuda para concursos e ficou animada com a aprovação do projeto de lei que autorizou 13.300 vagas para a área de educação. O esforço da concurseira vem desde 2016 e trouxe a ela aprovações em seleções da Secretaria de Educação do DF, Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Detran e Tribunal Eleitoral. “Disciplina e constância”, seu lema segue até hoje. 
Abertura de concursos para 2026. Na Foto Nathália Rayssa no MEC.
Abertura de concursos para 2026. Na Foto Nathália Rayssa no MEC. (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Equilibrando as 20 horas semanais na Secretaria de Educação com as 40 horas na EBSERH, o objetivo de Natália é claro: conquistar uma vaga que unifique sua carreira e elimine a jornada dupla. 
A pedagoga sempre apostou em plataformas on-line. Com dois empregos em locais diferentes, seu tempo é pouco, e costuma estudar três horas por dia. Ela sempre relembra: “o importante não são as horas estudadas e, sim, como seu estudo fluiu”. A rotina exaustiva não acaba após bater o ponto. Natália também tem a casa e os filhos para cuidar. 
Ao iniciar um conteúdo novo, aprende por meio de videoaulas e PDFs. A forma como grava o aprendizado é por meio de questões e simulados, que podem ser estendidos em mapas mentais, um estudo ativo. “Direito administrativo, português e raciocínio lógico são matérias que requerem tempo”, pontua. 
“Em vez de planejar o que vou fazer na semana, eu executo e anoto o que fiz e consigo analisar o que já concluí e o que ainda preciso fazer”, ela comenta sobre o método de estudo. Uma maneira de deixar os estudos menos monótonos e cansativos. 
“O concurso é um acordo que você faz consigo mesmo, ele precisa estar presente na sua vida”, ela conta. Como uma pessoa experiente, Natália confirma: além de saber os conteúdos, é necessário ter estratégias. Ela lembra que “uma vez, errei quatro questões no gabarito em uma prova onde uma errada anulava uma certa, em vez de tentar anular, acabei perdendo oito pontos e fui reprovada”. Entre os erros de principiantes, a pedagoga alerta: “estudem o que a banca pede, cada uma cobra assuntos diferentes” 

Em busca de uma vaga 

Stefany Serra, 25 anos, decidiu aproveitar este ano para estudar. “Ainda estou no início e sei que a caminhada para concursos é um plano a longo prazo”, ela comenta. Com foco na PMDF e o interesse em trabalhar na área, a jovem espera a abertura do edital, mas não descarta outros concursos e oportunidades, como o certame para a área de educação. 
“Tento estudar quatro horas por dia, mas minha intenção é chegar até oito”, Stefany conta. Entre videoaulas, questões e plataformas, seu aprendizado é feito de casa. Dado seu foco total para o ano de estudo, Stefany também divide seu tempo com os exercícios físicos, uma das suas formas de lazer. “Na prática é complicado; tem dias que sou muito determinada, mas, depois de muitas horas, o cérebro não funciona mais e é muito cansativo”, ela acrescenta. 
As estratégias fazem parte do cotidiano dos vestibulandos e concurseiros. “Há momentos em que você precisa ter algumas táticas para repor energias; a minha, pelo menos, é ir à academia”, diz. O método de ciclos de conteúdos é o utilizado pela jovem: uma matéria por duas horas e bastante revisão. Aos sábados, concentra a atenção nas redações e, aos domingos, realiza simulados. 
A concurseira afirma que é muito difícil conciliar trabalho e o aprendizado para concursos. Ambos exigem muito, e esse foi um dos motivos da jovem ter o foco na preparação e, consequentemente, passar logo. “Não trabalhar também acaba me isolando do mundo, porque não tenho como arcar com saídas.” 
Mas o esforço, segundo ela, vale a pena: “O concurso público é a solução; a iniciativa privada não te dá garantia de nada. Com a abertura de vagas também virão mais concorrentes”,  comenta acerca da abertura de 24 mil novas vagas. 

Novidades na educação

Para a educação, o texto prevê: 
» 3.800 novos cargos de professor do magistério superior e 2.200 de analista em educação para as universidades federais; 
» 9.587 novos cargos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico, 4.286 de técnico em educação e 2.490 de analista em educação para as instituições de ensino da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica 

Outras mudanças 

» Entre as novidades, está a criação da carreira de analista técnico do Poder Executivo, que transforma 66 cargos de diferentes áreas em apenas uma carreira. Segundo o MGI, a remuneração inicial desta categoria passa a ser de R$ 8.500,00, e a final, de R$ 16.142,48. Segundo o texto, o objetivo da ação é unificar as carreiras e simplificar a gestão. 
» Além disso, o PL autoriza a criação de: 225 cargos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); 750 cargos na carreira de Analista de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS) e 750 cargos na carreira de Analista Técnico de Justiça e Defesa (ATJD). As carreiras do ATDS e do ATJD já foram incluídas no concurso realizado no CPNU 2, cujo resultado foi divulgado na última segunda-feira (16/3). 
» O projeto também reduz 149 cargos do Ministério da Cultura em apenas dois: analista em atividades culturais (nível superior) e assistente técnico administrativo (nível médio). 
» O salário das carreiras tributária e aduaneira da Receita Federal e de Auditoria Fiscal do Trabalho também terão aumento. 
» Outra mudança é o reajuste da remuneração para os cargos de médico e médico veterinário da área de educação.
*Estagiários sob asupervisão de Ana Sá  

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação