João Pedro Resende de Carvalho
postado em 10/05/2026 06:00 / atualizado em 10/05/2026 06:00
Deise, com a filha Anna Carolline, são donas de um negócio de estética com 15 mil pacientes cadastrados e funcionárias com 19 anos de casa - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Carolline Magri não chegou para ser sócia. Chegou para ajudar — um tempo no departamento pessoal, uma mão na organização. Nunca mais saiu. Hoje, qualquer almoço com o namorado serve de prova: basta uma cliente surgir de relance na conversa para mãe e filha virarem uma chave invisível. Por 10 minutos, ninguém mais entra. Quando voltam ao assunto, é como se nada tivesse acontecido. “Vocês são loucas”, diz ele. As duas riem. Ele continua na mesa.
Carolline se formou em direito, advogou por um tempo e tentou concurso público. Logo percebeu que queria outra coisa. “Esse negócio de eu não ser a dona, de não ser a pessoa que toma as decisões — não dava.” Começou a passar algumas horas por dia na Skin House, clínica de estética que Deise Figueiredo abriu em Brasília em 2002. Tomou gosto. Nunca mais saiu.
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Quando a Skin House nasceu, Carolline tinha 14 anos. Não entendia o que era abrir uma clínica sem franquia, sem investidor, sem plano. Mas viu, dia após dia, a mãe correr atrás. “O que mais me marcou foi a perseverança dela. E ela batalhou — não só para ser administradora, mas também terapeuta, conhecer os procedimentos, os protocolos.” Deise, no comércio desde os 14 anos, começou pequena : depilação a laser, limpeza de pele, massagem. Cresceu na velocidade do caixa. Marketing, aprendeu na Unieuro, em 2003. Eletrocoagulação, foi buscar em São Paulo; laser, em vários estados. “Tinha que me virar sozinha. Ninguém me apoiava financeiramente.”
A divisão das tarefas se definiu naturalmente. Deise acolhe a equipe, conversa com as pacientes. Carolline organiza e decide. Uma faz carinho, a outra puxa a orelha. O primeiro embate sério foi sobre marketing. Deise apostava nas páginas amarelas, em revistas. Carolline queria Instagram. A discussão durou meses. “Eu cuido disso, ou não dá”, disse Carol. A mãe entregou. “Foi quando eu descansei”, admite Deise. Hoje, o Instagram é território da filha.
Vinte e três anos depois, a Skin House tem quase 15 mil pacientes cadastrados e funcionárias com 19 anos de casa — praticamente desde o início. Há clientes que chegaram avós, trouxeram filhas e hoje trazem netas. Para Carolline, o que aprendeu da mãe não cabe em ementa. “Não foi uma faculdade, não foi um trabalho. Foi a convivência desde pequena que me formou profissionalmente.” Deise devolve em outra moeda: “Sem ela, talvez eu já tivesse desistido.” Neste Dia das Mães, mãe e filha vão viajar juntas. O namorado pediu para ir junto. Já desistiu de competir.
Não foi uma faculdade, não foi um trabalho.Foi a convivência desde pequena que me formou profissionalmente
Carolline Magri, sócia da Skin House