Novas tecnologias

O Futuro do trabalho: como a IA e o pensamento crítico moldam o mercado

Pesquisa afirma que, apesar da utilização da inteligência artificial no mercado de trabalho, habilidades humanas como pensamento crítico são essenciais na formação profissional

Marília Milhomen
postado em 16/08/2026 06:00 / atualizado em 16/08/2026 06:00
 João Paulo Lira João Paulo Martins, sócios-fundadores da Hashtag Treinamentos -  (crédito: Arquivo pessoal)
João Paulo Lira João Paulo Martins, sócios-fundadores da Hashtag Treinamentos - (crédito: Arquivo pessoal)

O futuro do trabalho está ligado diretamente ao modo como trabalhadores interagem com as novas tecnologias. Cada vez mais presentes nas rotinas trabalhistas, as ferramentas de inteligência artificial (IA) podem ou não ser aliadas dos trabalhadores. Em meio a tantas questões sobre o uso da IA, o que se tem certeza é de que as ferramentas automatizam processos, mudam funções e ajudam nas tomadas de decisões. Em 2025, o Brasil se consolidou como um dos maiores usuários de ferramentas de inteligência artificial no mundo, alcançando o terceiro lugar. Enquanto a IA ganha cada vez mais espaço no dia a dia da população, a adaptação e o posicionamento profissional frente à tecnologia continuam sendo um desafio.

Segundo o estudo Relevância Profissional, Inteligência Artificial e Futuro do Trabalho, realizado pela Hashtag Treinamentos, empresa de educação voltada ao desenvolvimento de habilidades práticas para o mercado de trabalho, o pensamento crítico aparece como a característica mais citada para proteção contra automação, mencionado por 66,1% dos participantes. “A tecnologia consegue automatizar tarefas, organizar informações e acelerar processos. Mas pensamento crítico, criatividade, repertório e capacidade de interpretação continuam sendo diferenciais importantes para transformar ferramenta em resultado. O profissional mais preparado não é apenas quem usa IA, mas quem sabe formular boas perguntas, avaliar respostas e aplicar o conhecimento ao contexto certo”, afirma João Paulo Martins, sócio-fundador da Hashtag Treinamentos. 
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A pesquisa foi realizada para compreender como profissionais brasileiros estão reagindo ao avanço da inteligência artificial e às mudanças nas exigências do mercado de trabalho. Ao todo, foram entrevistados 5.569 participantes, e o estudo mostrou que a inteligência artificial faz parte da realidade profissional de grande parte dos respondentes e é encarada predominantemente como uma oportunidade de crescimento. “Cerca de 70,6% afirmam enxergar a IA dessa forma, enquanto apenas 0,5% a classificam exclusivamente como uma ameaça aos empregos. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia que o avanço da tecnologia desperta uma preocupação com a necessidade de atualização”, afirmou Martins. 
O escritório Urbano Vitalino Advogados, desde 2017, utiliza ferramentas de inteligência artificial como auxiliar para acompanhamento de publicações judiciais. Com o auxílio da IA, o escritório apresentou um ganho de quase 53% na produtividade geral. Longe de substituir o advogado, a IA assume o volume de tarefas repetitivas e libera as equipes para a análise qualificada dos atos que efetivamente exigem decisão jurídica, elevando a segurança no controle de prazos e a agilidade na resposta ao cliente. “A tecnologia é extremamente eficiente para automatizar tarefas repetitivas, mas ela não substitui competências essencialmente humanas, como julgamento, interpretação, responsabilidade, negociação, criatividade e construção de relações de confiança”, disse Urbano Vitalino Neto, presidente do Conselho do Urbano Vitalino Advogados. 

Adaptação profissional 

"A tecnologia é extremamente eficiente para automatizar tarefas repetitivas" defende Urbano Vitalino Neto, presidente do Conselho do Urbano Vitalino Advogados
"A tecnologia é extremamente eficiente para automatizar tarefas repetitivas" defende Urbano Vitalino Neto, presidente do Conselho do Urbano Vitalino Advogados (foto: Arquivo pessoal)

No topo das exigências corporativas e que não podem ser substituídas pela IA, os participantes também citaram a capacidade de aprender continuamente, com 57,7%, o raciocínio lógico, com 52%, e a criatividade, com 45,1%. Outras competências que formam a base do sucesso profissional e pessoal também foram citadas pelos participantes da pesquisa. Entre elas, três pilares se destacam como essenciais: a inteligência emocional, a comunicação eficaz e o relacionamento interpessoal. Juntas, essas competências funcionam como uma engrenagem integrada para o sucesso profissional e o bem-estar organizacional. 
A percepção se conecta a outro dado do estudo: quando questionados sobre as habilidades que o mercado passou a exigir, os destaques foram o uso de ferramentas digitais, citado por 69,1%, o pensamento analítico, com 61,3%, e a análise de dados, com 53,3%. A combinação dos dois blocos indica que a empregabilidade tende a depender cada vez mais da integração entre domínio tecnológico, leitura analítica e competências humanas. 
Segundo a pesquisa pensamento crítico é a habilidade que mais protege a automação
Segundo a pesquisa pensamento crítico é a habilidade que mais protege a automação (foto: Divulgação)
Para o realizador da pesquisa, o mercado de trabalho exige adaptação às ferramentas. “Os dados indicam que existe uma preocupação, mas ela está menos relacionada à substituição direta de empregos e mais ao risco de perder relevância profissional caso não haja atualização constante”, finalizou.   

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