postado em 20/09/2026 06:00 / atualizado em 20/09/2026 06:00
Estudo foi divulgado durante o 28º Congresso do Ensino Superior (Finesp), promovido pelo Semesp
- (crédito: PlayP Brasil)
Por João Hermógenes*
São Paulo — Ter um diploma continua compensando no bolso, mas cada vez menos no reconhecimento. É o que mostra a 5ª Pesquisa de Empregabilidade dos Egressos do Ensino Superior Brasileiro, feita pelo Instituto Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, divulgada na última quinta feira (17/9) durante o 28º Forum nacional do Ensino Superir, em São Paulo, que entrevistou 4.106 egressos de 200 instituições e 134 cursos entre julho e agosto deste ano. O evento foi promovido pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil.
Do lado financeiro, o retorno é expressivo. Antes de concluir a graduação, a renda média bruta dos entrevistados era de R$ 2,7 mil. Depois, subiu para R$ 5,8 mil, um aumento de 110%. O efeito é maior entre quem partia de salários mais baixos: 91,8% dos que ganhavam até R$ 1 mil passaram a receber mais após o diploma. Na pós-graduação, esse ganho se amplia, elevando a renda média de R$ 4.630 na graduação para R$ 9.262 entre mestres e doutores.
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Apesar disso, o diploma vem perdendo prestígio aos olhos de quem o conquistou. Na pesquisa, 38,6% dos egressos dizem que sua formação é pouco ou nada valorizada no mercado, e o ceticismo cresce entre os mais jovens: 43,6% dos que têm até 29 anos pensam assim, contra 25,4% dos que têm 50 anos ou mais. Quanto mais recente a formatura, menor a sensação de que ela pesa na contratação. Para os próprios egressos, a experiência prática fala mais alto do que o diploma, mesmo nas vagas de entrada.
Para o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, a mobilidade de renda revelada pela pesquisa tem explicação. “A pesquisa mostra que o ensino superior traz mobilidade social, pois quem ganhava menos foi quem mais teve melhora de renda. Isso é impacto puro”, afirma. Segundo ele, a área de formação pesa, já que há cursos que pagam e empregam mais do que outros, mas o ponto em comum entre quem mais ganhou renda é outro: “São escolas que efetivamente trabalham com prática, que conseguem aliar bem teoria e prática, com projetos e parcerias fortes com o mercado de trabalho. Não só para abrir vagas de estágio, mas também para entender o que o mercado busca e incorporá-lo ao currículo.” Acima de tudo, resume Rodrigo, a instituição precisa ter qualidade: “Esse é o primeiro grande passo para que a mobilidade aconteça.”
Essa exigência de experiência também figura entre as maiores dificuldades relatadas pelos egressos ao ingressar no mercado: 42,8% citam a falta de vivência na área como principal obstáculo, seguida de salários baixos (29,6%) e de falta de vagas (26,2%).
Rodrigo aponta ainda uma lacuna que explica o despreparo de muitos recém-formados: o vínculo com a instituição costuma se encerrar exatamente quando o aluno mais precisa dele. “O Brasil ainda carece muito desse relacionamento com o aluno após a formatura. Com a crise demográfica e o crescimento exponencial da tecnologia e da IA, vamos precisar de educação ao longo da vida, e as escolas têm dificuldade nisso.” O erro mais comum, diz, é tratar esse vínculo como algo a criar só depois da formatura: “Pegar a base de dados e mandar um e-mail não funciona. Ela tem que se relacionar com o aluno em comunidades durante a graduação, por interesses, até por hobbies, e trazer para essa conversa as questões do mercado de trabalho. Quando ele se formar, manter essa relação vai ser natural. O que as instituições ainda não fazem bem é isso: elas esperam o aluno se formar para, depois, buscar o relacionamento com ele.”
Nas considerações finais do estudo, o Semesp resume o cenário: o diploma continua sendo um importante vetor de mobilidade profissional e econômica, mas o mercado exige cada vez mais experiência, competências digitais e atualização contínua. Segundo o instituto, o desafio das instituições de ensino é transformar a graduação em uma ponte permanente entre formação, carreira, mercado e aprendizagem ao longo da vida.
* Estagiário sob a coordenação de Ana Sá. Ele viajou a convite do Semesp.