Pandemia

ONG indiana socorre pacientes com covid que não conseguiram atendimento médico

A Índia registrou um total de 18 milhões de infecções, 360.000 dos quais nas últimas 24 horas

Agência France-Presse
postado em 28/04/2021 11:53 / atualizado em 28/04/2021 11:55
 (crédito: PRAKASH SINGH)
(crédito: PRAKASH SINGH)

Himanshu Verma suspira aliviado quando uma máscara de oxigênio finalmente cobre o rosto de sua mãe, doente com covid-19 e lutando para respirar, sentada perto de uma estrada movimentada na periferia de Nova Delhi.

A escassez de oxigênio em hospitais lotados forçam os doentes a buscar ajuda da Khalsa Help International, uma ONG criada por um gurdwara - um templo Sikh - em Ghaziabad.

Uma tenda foi montada no estacionamento do gurdwara, onde os enfermos vão de mototáxis e até de ambulância.

"Precisávamos de tratamento, mas não encontramos um lugar nos hospitais de Delhi", explica à AFP Himanshu Verma, enquanto sua mãe Poonam, de 58 anos, permanece conectada a um concentrador de oxigênio.

"Vamos ficar a noite toda aqui se for necessário. Não temos outra opção", acrescenta o homem de 32 anos.

Ao seu redor, outros doentes, deitados em bancos ou na traseira de um riquixá, lutam para respirar sob um calor sufocante que chega a 38ºC. Seus parentes os abanam com pedaços de papelão.

"A cada dia temos mais pessoas doentes", diz Ishant Bindra, de 28 anos, membro da Khalsa Help International.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa com covid-19 em cada cinco tem dificuldades respiratórias e precisa de oxigenoterapia.

Morte próxima


A Índia registrou um total de 18 milhões de infecções, 360.000 dos quais nas últimas 24 horas. Quase seis milhões dos casos foram registrados em abril.

Em Délhi, a cidade mais atingida e onde entre 20.000 e 25.000 infecções são relatadas diariamente, pacientes morrem nas portas dos hospitais, aguardando internação. Mas também dentro, devido à falta de oxigênio.

Priyanka Mandal, de 30 anos, explica que não conseguiu hospitalizar sua mãe Pushpa, de 55 anos, que também sofre de diabetes, quando sua saúde piorou.

A jovem finalmente encontrou alguém que lhe vendeu um cilindro e seis quilos de oxigênio por 30.000 rúpias (cerca de US$ 400), um preço muito superior ao preço de mercado.

"A febre é constante e agora ela não consegue respirar", enquanto a reserva de oxigênio diminui, explica Priyanka Mandal à AFP.

Também é difícil para o gurdwara se abastecer de oxigênio devido à escassez em Délhi e apesar do fato de que a ajuda internacional começa a chegar.

Os voluntários viajam para outras cidades, às vezes a várias horas de distância, para tentar encontrar oxigênio.

A ONG tinha vários cilindros cheios na segunda-feira, na terça à noite tentava reabastecê-los e, enquanto isso, fornecia oxigênio por meio de um concentrador que o extrai do ar, explica Supreet Singh, um voluntário.

Enquanto esperam pelos preciosos cilindros cheios de oxigênio, os voluntários vestidos com roupas de proteção desinfetam medidores e tubos.

"Não importa quanto tempo demore, tenho que esperar aqui", suspira Priyanka Mandal. "Só sobrou minha mãe (...) Então tenho que ajudá-la a sobreviver."

Notícias pelo celular

Receba direto no celular as notícias mais recentes publicadas pelo Correio Braziliense. É de graça. Clique aqui e participe da comunidade do Correio, uma das inovações lançadas pelo WhatsApp.


Dê a sua opinião

O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. As mensagens devem ter, no máximo, 10 linhas e incluir nome, endereço e telefone para o e-mail sredat.df@dabr.com.br.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação