UCRÂNIA

"É tocante ver europeus de olhos azuis sendo mortos", diz ex-procurador

Em meio a acusações de racismo na crise, entrevista do ex-procurador ucraniano repercutiu de forma negativa

Thays Martins
postado em 03/03/2022 15:10 / atualizado em 03/03/2022 15:32
 (crédito: reprodução )
(crédito: reprodução )

Em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que chegou ao oitavo dia nesta quinta-feira (3/3), uma entrevista de um ex-procurador ucraniano repercutiu de forma negativa. À BBC, David Sakvarelidze disse que a situação de guerra em seu país era "muito emocional" para ele porque "povos europeus de olhos azuis e cabelos loiros" estavam sendo mortos todos os dias. A entrevista foi transmitida na televisão no domingo (27/2). 

"É muito emocionante para mim porque vejo europeus com olhos azuis e cabelos loiros sendo mortos, crianças sendo mortas todos os dias pelos mísseis, helicópteros e foguetes de Putin", disse. 

Esta não é a primeira fala acusada de racismo repercutida na mídia durante a cobertura da guerra no leste europeu. Na CBS News, um correspondente disse: "Com todo o respeito, este não é um lugar como o Iraque ou o Afeganistão, que tem visto conflitos há décadas... Esta é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia, onde você não esperaria isto."

Já na Al Jazeera, o apresentador disse: “O que chama a atenção é que são pessoas prósperas de classe média. Não são refugiados tentando fugir do Oriente Médio ou do Norte da África. Eles se parecem com qualquer família europeia com a qual você moraria ao lado."

Acusações de racismo 

Desde o início da invasão russa ao território ucraniano há vários relatos de que pessoas não brancas estão tendo mais dificuldades de deixarem o país. Na segunda-feira (28/2), representantes das três nações africanas no Conselho de Segurança da ONU – Quênia, Gana e Gabão – condenaram a discriminação contra cidadãos africanos na fronteira. Nesta quarta-feira (2/3), o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, pediu às autoridades de fronteira para que deem oportunidades iguais aos africanos que tentam sair da zona de guerra.

 

 

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