Oriente Médio

Estados Unidos bombardeiam alvos pró-Irã no Iraque e na Síria

Bombardeiros dos Estados Unidos atacam a Guarda Revolucionária Iraniana, a força de elite do regime de Teerã, e milícias xiitas no Iraque e na Síria. Ofensiva é resposta à morte de três soldados norte-americanos atingidos por drone na Jordânia

Biden diante do caixão de Kennedy Sanders, morto no ataque à Jordânia, na Base Aérea de Dover, em Dellaware  -  (crédito: Kevin Dietsch/Getty Images/AFP)
Biden diante do caixão de Kennedy Sanders, morto no ataque à Jordânia, na Base Aérea de Dover, em Dellaware - (crédito: Kevin Dietsch/Getty Images/AFP)
postado em 03/02/2024 06:00

Os bombardeiros B-1 atacaram 85 posições de milícias xiitas pró-Irã e da Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica no Iraque e na Síria, pouco depois de o presidente Joe Biden receber os corpos do sargento William Jerome Rivers, 46 anos; e dos soldados Kennedy Ladon Sanders, 24; e Breonna Alexsondria Moffett, 23, na base área de Dover, em Delaware. O trio foi morto durante ataque com drone recheado de explosivos contra a base Torre 22, no nordeste da Jordânia, no último domingo (28/1). Na primeira onda da retaliação norte-americana, os bombardeiros decolaram dos EUA e usaram 125 munições de precisão.

"Às 16h (de ontem, zero hora de hoje em Bagdá, em Amã e em Damasco), forças do Comando Central dos EUA realizaram ataques aéreos no Iraque e na Síria contra a Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e milícias afiliadas. (...) As instalações que foram atingidas incluíam centros de operações de comando e controle; centros de inteligência; foguetes e mísseis; armazéns de drones; instalações de logística e cadeia de fornecimento de munições", afirmou o Centcom, em nota publicada na rede social X, o antigo Twitter.

A organização não-governamental Observatório Sírio de Direitos Humanos (ODSH) divulgou que "pelo menos 13 combatentes pró-iranianos morreram" somente no leste da Síria. Não ficou claro se soldados da Guarda Revolucionária Islâmica estão entre os mortos.

Por meio de um comunicado, Biden advertiu que os ataques em represália "vão continuar" e confirmou que a ofensiva de ontem ocorreu sob sua direção. "Nossa resposta começou hoje. Ela continuará no momento e nos locais que escolhermos", assegurou. "Os Estados Unidos não buscam conflito no Oriente Médio ou em qualquer lugar do mundo. Mas que todos aqueles que possam tentar nos prejudicar saibam disto: se vocês fizerem mal a um americano, nós responderemos." A Casa Branca informou que as ações militares foram "um sucesso" e que duraram 30 minutos.

Nos últimos dias, Biden esteve sob forte pressão dos republicanos e mesmo de alguns democratas para responder ao assassinato dos três soldados. "Hoje cedo, assisti ao digno regresso destes corajosos americanos à Base Aérea de Dover e falei com cada uma das suas famílias", escreveu. Em ano eleitoral, especialistas alertam que a omissão do presidente poderia lhe custar votos, no momento em que enfrenta dificuldades na disputa com o antecessor Donald Trump, que lidera as pesquisas. Os EUA escolherão o próximo titular da Casa Branca em 5 de novembro.

O ataque à Torre 22, no domingo passado, foi reivindicado pela Resistência Islâmica no Iraque — uma aliança de grupos armados associados ao Irã, que exige a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e rejeita o apoio a Israel em sua guerra na Faixa de Gaza contra o grupo extremista palestino Hamas. Uma resposta militar de Washington levantava o temor de uma escalada da tensão no Oriente Médio.

Michael Butler, professor de ciência política da Clark University (em Worcester, Massachusetts), explicou ao Correio que o escopo e a extensão dos ataques na Síria e no Iraque "vão muito além" das primeiras ofensivas contra os rebeldes separatistas huthis, no Iêmen, em outubro. "O nível de coordenação e o poder de fogo são muito maiores, o que explica a demora de reação após o bombardeio à Torre 22. Suspeito que parte desse atraso também envolveu comunicações por canais secundários com o regime iraniano, como forma de evitar uma retaliação por parte de Teerã", afirmou o americano.

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