Antropologia

Pegadas humanas de mais de 100 mil anos são descobertas no Marrocos

Segundo pesquisadores, indícios seriam os mais antigos encontrados no norte da África e no sul do Mediterrâneo

"A curto prazo, serão descobertas mais pegadas à medida que os sedimentos erodirem", consideram pesquisadores - (crédito: Celine Lityo/Unsplash)
postado em 06/02/2024 17:14

Mais de 80 pegadas humanas de cerca de 100 mil anos foram encontradas na costa norte de Marrocos e, de acordo com os pesquisadores, seriam as mais antigas encontradas no norte da África e no sul do Mediterrâneo.

Essas pegadas de Homo sapiens, deixadas por pelo menos cinco indivíduos, incluindo crianças, e reveladas nesta segunda-feira (6) à AFP, foram descobertas em 2022 em Larache, 90 km ao sul da cidade de Tânger, por uma equipe de pesquisadores marroquinos, franceses, espanhóis e alemães.

"Esse grupo de indivíduos atravessava a praia em direção ao mar, provavelmente em busca de comida e conchas marinhas, e provavelmente eram pescadores e coletores", disse à AFP Anass Sedrati, conservador do sítio arqueológico de Lixus-Larache.

Segundo os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista Nature em janeiro, trata-se de um dos sítios de pegadas humanas melhor preservados do mundo e o mais antigo do norte da África e do sul do Mediterrâneo.

"Essa descoberta ocorreu durante uma missão de levantamento de terreno em julho de 2022, como parte de um projeto de pesquisa científica sobre a origem e a dinâmica das formações rochosas encontradas no litoral", indicaram os pesquisadores, liderados pela universidade francesa Bretagne Sud.

Em 2017, restos de Homo sapiens com 300 mil anos de idade, de acordo com os pesquisadores, foram descobertos em outro local ao norte de Marrocos, aumentando em 100 mil anos a estimativa da origem de nossa espécie.

Segundo Sedrati, também foram encontradas pegadas de animais na área.

"É preciso preservar esse notável sítio patrimonial, embora esteja ameaçado pelo aumento do nível do mar e pelas tempestades", afirmou Muncef Sedrati, responsável pelo projeto de pesquisa.

"A curto prazo, serão descobertas mais pegadas à medida que os sedimentos erodirem", apontou um pesquisador.

"Seria interessante monitorar essa erosão e descobrir mais pegadas que ajudem a obter mais detalhes sobre o grupo de Homo sapiens que caminhava ou vivia nessas costas", acrescentou.

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