FÓRUM ECONÔMICO

Líderes europeus discursam em Davos antes da chegada de Trump

Além da Groenlândia, outros temas críticos na agenda do Fórum Econômico Mundial incluem as crises em Gaza, Ucrânia, Irã e Venezuela

Visitantes participam da reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, em 20 de janeiro de 2026       -  (crédito: FABRICE COFFRINI / AFP)
Visitantes participam da reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, em 20 de janeiro de 2026 - (crédito: FABRICE COFFRINI / AFP)

Os líderes europeus discursarão nesta terça-feira (20/1) no Fórum de Davos, antes da chegada de Donald Trump, que desestabilizou a ordem global e agora ameaça anexar a Groenlândia

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Todas as atenções estarão voltadas para o presidente americano esta semana na estação de esqui suíça, que, como todos os anos em janeiro, sedia o encontro de um multilateralismo que ele desafia há muito tempo.

Além da Groenlândia, outros temas críticos na agenda do Fórum Econômico Mundial incluem as crises em Gaza, Ucrânia, Irã e Venezuela, semanas após os Estados Unidos capturarem o presidente venezuelano agora deposto, Nicolás Maduro. 

Representando a América Latina em Davos, estarão os presidentes argentino, Javier Milei; panamenho, José Raúl Mulino, e o equatoriano, Daniel Noboa. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, discursarão nesta terça-feira, juntamente com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, cujos países também têm disputas com o governo americano. 

Trump fará um discurso na quarta-feira e participará de outros eventos na quinta-feira.

A Europa considera possíveis retaliações depois que o presidente dos Estados Unidos ameaçou impor novas tarifas a oito países europeus - incluindo Reino Unido, França e Alemanha - devido ao impasse sobre a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.

"Temos que conseguir"

Trump afirmou na segunda-feira que não acreditava que os líderes europeus "ofereceriam muita resistência" ao seu desejo de comprar a vasta ilha ártica, e disse a repórteres: "Temos que conseguir". 

Ele também especificou que teve "uma ótima conversa por telefone sobre a Groenlândia com Mark Rutte", o secretário-geral da Otan, e que uma reunião seria realizada em Davos com "as diversas partes" envolvidas. 

Trump alega a necessidade de proteger a Groenlândia de potenciais ameaças russas e chinesas, embora analistas afirmem que o papel de Pequim na região é limitado e enfatizem o interesse dos EUA na ilha devido à sua riqueza em elementos de terras raras e minerais. 

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que lidera a grande delegação dos Estados Unidos em Davos, alertou que uma ação de represália da UE "seria muito pouco sensata". 

Ursula von der Leyen se reuniu na segunda-feira em Davos com uma delegação bipartidária do Congresso americano e declarou nas redes sociais que "ressaltou a necessidade de respeitar de forma inequívoca a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca". 

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que tentará se encontrar com Trump na quarta-feira. Merz observou que a Alemanha e outros países europeus concordam que "qualquer escalada nesta disputa deve ser evitada na medida do possível".

Macron, que deixará Davos nesta terça-feira sem se encontrar com Trump, propôs ao magnata que realizem uma cúpula do G7 na quinta-feira em Paris, para a qual sugeriu também convidar, "à margem da reunião", representantes de Dinamarca, Ucrânia, Síria e Rússia.

Ameaças "inaceitáveis"

As relações entre Trump e Macron ficaram ainda mais tensas na segunda-feira, quando o presidente americano ameaçou impor tarifas de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses, depois que a França insinuou que não participaria do seu "Conselho de Paz".

Analistas comparam esse conselho, criado para resolver conflitos internacionais, a uma versão paga do Conselho de Segurança da ONU. Trump confirmou na segunda-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, está entre os líderes convidados. 

Os líderes da UE se reunirão na quinta-feira em Bruxelas para decidir como responder à crise da Groenlândia, uma das mais graves para as relações transatlânticas em anos. 

Em uma coletiva de imprensa em Davos, o presidente finlandês, Alexander Stubb, disse que as ameaças de tarifas entre aliados são "inaceitáveis" porque "enfraquecem a relação transatlântica" e podem criar um ciclo vicioso. 

Questionado se acreditava que Trump poderia usar a força, Stubb respondeu: "Não acho que os Estados Unidos vão assumir o controle da Groenlândia pela via militar". 

A Dinamarca propôs que a Otan inicie operações de vigilância na Groenlândia.

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AF
postado em 20/01/2026 08:58
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