Nevasca

Tempestade de inverno mata ao menos 13 e paralisa os Estados Unidos

Fenômeno descrito como um dos mais extremos em décadas provoca mortes, apagões, cancelamentos de voos e alertas de frio histórico em mais de 20 estados americanos

Frio extremo, gelo e apagões colocam milhões de americanos em alerta máximo       -  (crédito: SAUL LOEB / AFP)
Frio extremo, gelo e apagões colocam milhões de americanos em alerta máximo - (crédito: SAUL LOEB / AFP)

Uma poderosa tempestade de inverno avança pelos Estados Unidos nesta segunda-feira (26/1) e já provocou uma série de impactos severos em diferentes regiões do país. De acordo com um levantamento da Associated Press baseado em dados oficiais de governos locais, ao menos 13 pessoas morreram em decorrência direta ou indireta do fenômeno, que também causou apagões em larga escala, paralisação do transporte aéreo e alertas para que a população permaneça em casa.

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Classificado por meteorologistas como um dos episódios de inverno mais extremos das últimas décadas, o sistema trouxe nevascas intensas e acúmulo significativo de gelo. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês) avaliou que os efeitos podem ser “catastróficos”, especialmente devido à combinação de frio prolongado e recongelamento constante das superfícies.

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Em novo alerta, o NWS informou que as condições adversas devem se manter ao longo desta semana. “Os impactos da neve/chuva congelada persistirão pela próxima semana, com ondas de recongelamento que manterão as superfícies geladas e perigosas tanto para dirigir quanto para caminhar”, destacou o órgão.

As mortes registradas estão distribuídas por diferentes estados. No Texas, três óbitos foram confirmados, entre eles o de uma adolescente de 16 anos envolvida em um acidente de trenó. Na Louisiana, duas pessoas morreram por hipotermia, segundo o Departamento de Saúde local. Autoridades do Tennessee relataram três mortes, enquanto o Kansas confirmou uma. 

Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani informou que cinco pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana, em meio a temperaturas extremamente baixas. “Embora ainda não sabemos as causas dessas mortes, não há lembrete mais forte dos perigos do frio extremo e da vulnerabilidade de muitos moradores, particularmente os novos-iorquinos em situação de rua”, afirmou em entrevista coletiva no domingo, conforme a AFP.

Além das mortes, o fornecimento de energia foi amplamente afetado. Dados do PowerOutage.us indicavam, na noite de domingo, mais de 840 mil clientes sem eletricidade, principalmente no sul do país, onde a tempestade começou no sábado. O Tennessee foi um dos estados mais atingidos: a queda de linhas de transmissão deixou mais de 300 mil clientes residenciais e comerciais no escuro. Louisiana, Mississippi e Geórgia registraram cada uma mais de 100 mil interrupções no serviço.

As autoridades alertam que os apagões agravam os riscos, já que o sul enfrenta um frio incomum, com possibilidade de quebra de recordes históricos. Governos estaduais, do Texas à Carolina do Norte, além da prefeitura de Nova York, recomendaram que os moradores evitem sair de casa.

No centro dos Estados Unidos, as cidades de Kansas, Oklahoma e Missouri registraram fortes nevascas, com acúmulo de até 20 centímetros de neve em alguns pontos ainda na noite de sábado, segundo o NWS. Diante da gravidade do cenário, pelo menos 20 estados e o Distrito de Columbia decretaram estado de emergência.

O presidente Donald Trump afirmou no sábado (24/1), em publicação na plataforma Truth Social, que o governo federal acompanha a situação: “Continuaremos monitorando e mantendo contato com todos os estados no trajeto desta tempestade. Mantenham-se seguros e aquecidos!”. As repartições federais permanecerão fechadas de forma preventiva nesta segunda-feira, e os aeroportos de Washington, Filadélfia e Nova York tiveram quase todos os voos do dia cancelados.

O impacto no setor aéreo foi expressivo: mais de 19 mil voos com origem ou destino nos Estados Unidos foram cancelados durante o fim de semana, além de milhares de atrasos, segundo o FlightAware. Para esta segunda-feira, quase 2.500 voos já estavam oficialmente suspensos.

O NWS também advertiu que o acúmulo de gelo pode provocar “cortes de eletricidade de longa duração, danos a árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis”. Em meio às previsões, consumidores correram aos supermercados, esvaziando prateleiras em várias cidades.

Descrita pelo NWS como “inusualmente extensa e de longa duração”, a tempestade é causada pela entrada de uma massa de ar ártico vinda do Canadá. Trump, conhecido por questionar o aquecimento global, aproveitou o episódio para comentar o tema e escreveu no Truth Social: “Por favor: O QUE ACONTECEU AO AQUECIMENTO GLOBAL?”.

Especialistas, no entanto, explicam que o fenômeno está associado a distúrbios no vórtice polar. Segundo a AFP, trata-se de uma deformação dessa massa de ar que normalmente permanece sobre o Polo Norte, mas que se deslocou para o sul. Cientistas observam que esse tipo de perturbação se tornou mais frequente nas últimas duas décadas e pode ter relação com as mudanças climáticas, embora variações naturais também ocorram.

As autoridades alertam ainda que o frio extremo pode persistir por até uma semana após a passagem da tempestade, especialmente nas Grandes Planícies e em outras áreas centrais do país. Nesses locais, a sensação térmica pode atingir -45°C, condição capaz de causar congelamento da pele em poucos minutos.

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postado em 26/01/2026 17:46
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