O Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) manteve suas taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira (28), em sua primeira reunião do ano, em um contexto de crescimento econômico "sólido" e em desafio à crescente pressão do presidente Donald Trump por cortes.
A votação terminou em 10 a 2 pela manutenção das taxas de juros de referência em um intervalo de 3,50% a 3,75%. Os dirigentes do Fed apontaram que a taxa de desemprego apresentou "sinais de estabilização", enquanto a atividade econômica vem "se expandindo a um ritmo sólido".Mas o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) registrou dois votos dissidentes desta vez.
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Stephen Miran e Christopher Waller — este último considerado um possível candidato para suceder o presidente do banco central, Jerome Powell — defenderam um corte de um quarto de ponto percentual.
O Fed aplicou cortes de um quarto de ponto em suas três últimas reuniões de política monetária, diante da preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho.
Miran, recentemente nomeado por Trump, defendeu reduções maiores em cada ocasião.
Mas o crescimento sólido do PIB, o desemprego relativamente baixo e uma inflação persistente deram motivos para uma pausa, o que volta a colocar os dirigentes do Fed em confronto com Trump, que tem instado a uma redução das taxas de juros.
Taxas de juros mais baixas barateiam o crédito e, portanto, estimulam o investimento e o consumo. Trump intensificou drasticamente a pressão sobre o banco desde que retornou ao poder há um ano. Ele tentou destituir a governadora do Fed Lisa Cook, enquanto seu governo abriu uma investigação contra Powell por causa da reforma da sede do banco.
O presidente do Fed elevou de forma incomum o tom diante desses dois casos. Nesta quarta-feira, na coletiva de imprensa após a reunião do FOMC, afirmou que o caso de Cook, que está sendo analisado pela Suprema Corte, "é talvez o mais importante nos 113 anos de história do Fed".
Powell respondia a uma pergunta sobre por que compareceu à audiência de 21 de janeiro relacionada ao esforço de Trump para destituir Cook. Powell, que também classificou como politicamente motivada a investigação contra ele, não quis comentar as declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que criticou sua presença na audiência judicial.
A política e os dados
"Embora o Fed tenha recebido pressões políticas para cortar as taxas, os dados não o pressionam", resumiu Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, ao comentar a política monetária.
Seus dirigentes parecem ter chegado a um consenso em torno de uma pausa de curto prazo nas reduções de juros e agora debatem quais condições justificariam novos cortes e com que rapidez eles deveriam ocorrer.
"O obstáculo para cortes adicionais no curto prazo aumentou", afirmou Daco. Agora, segundo ele, o Fed buscará "provas mais claras e duradouras de desinflação" ou de um novo enfraquecimento do mercado de trabalho antes de voltar a reduzir as taxas.
A recente perda de força do dólar americano pode provocar novas complicações, ao encarecer os produtos importados para os consumidores dos Estados Unidos, que já enfrentam preços mais altos à medida que as tarifas de Trump são repassadas às cadeias de suprimento.
Os mercados financeiros, em geral, preveem que o Fed manterá as taxas inalteradas até a reunião de junho, segundo a ferramenta de monitoramento CME FedWatch.
Olhando para o futuro, todas as atenções se voltam para como o indicado por Trump para suceder Powell — cujo mandato à frente do banco termina em maio — irá moldar a política do Fed.
Credibilidade
Uma questão relevante é se o novo presidente do Fed conseguirá alinhar o restante do comitê em favor de mais cortes, apontaram analistas do ING.
Fora do Fed, pode ser mais difícil para o próximo presidente do banco central convencer os investidores de que a instituição continuará cumprindo seu mandato de controlar a inflação e promover o máximo emprego de forma independente da influência política, avaliou Michael Strain, do conservador American Enterprise Institute (AEI).
Diante da forma como o governo Trump tem atacado Powell, Strain acrescentou que "estabelecer credibilidade será muito mais desafiador" para o sucessor de Powell do que foi para os líderes anteriores do Fed nas últimas décadas.
O presidente do Fed afirmou nesta quarta-feira que não acredita que o banco central dos Estados Unidos perca sua independência.
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