Natureza

A floresta nos EUA que aprende a sorrir no outono

Um rosto sorridente aparece entre as árvores no Oregon e transforma a paisagem em um espetáculo natural que só se revela em uma época específica do ano

Quem passa pela Rodovia 18, no estado do Oregon, nos Estados Unidos,  vê apenas uma encosta coberta por árvores na maior parte do ano. Nada parece fora do comum, mas com a chegada do outono, a paisagem se transforma e a floresta revela um enorme rosto sorridente desenhado no meio da vegetação.

O fenômeno é resultado de uma intervenção paisagística planejada em formato de emoji de “rosto feliz”. Diferente de uma obra fixa, o desenho não é visível o ano inteiro. Ele só se revela entre os meses de setembro e dezembro, quando as árvores passam pela mudança sazonal de cores, criando o contraste necessário para formar o sorriso. Apesar de a imagem se tornar um espetáculo público apenas em uma época específica, o emoji, na verdade, “sorri” constantemente para a floresta, mesmo quando a uniformidade do verde o mantém oculto durante o restante do ano.

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A imagem surge a partir da combinação de diferentes espécies de árvores, plantadas estrategicamente para que suas folhas mudem de tonalidade em ritmos específicos. Enquanto parte da floresta permanece verde, outras assumem tons amarelados e alaranjados no outono, fazendo com que o desenho se destaque na encosta e se torne visível à distância. O auge da vividez do rosto ocorre justamente nesse período, quando a “máscara” de vegetação se revela para quem transita pela rodovia 18 do Oregon.

A engenharia por trás do sorriso

Mais do que um efeito visual curioso, o projeto une silvicultura, planejamento paisagístico e design. Não se trata de um fenômeno espontâneo, mas de um plantio delineado, pensado para surpreender quem circula pela região e criar uma experiência estética no espaço público.

O sorriso foi projetado em 2011 por David Hampton, da empresa florestal Hampton Resources, com execução do plantio liderada por Kristopher Tipler e sua equipe. Para criar o contraste cromático que dá forma ao rosto, foram utilizadas espécies específicas. O amarelo vibrante que forma o desenho vem do lariço, uma das poucas coníferas cujas agulhas mudam de cor e caem no outono. Já os olhos e a boca são compostos por abetos de Douglas, que permanecem verde-escuros durante todo o ano, garantindo a definição do contorno da imagem.

O resultado é uma obra viva, que depende diretamente das estações para existir visualmente. Durante a primavera e o verão, o rosto desaparece na paisagem. No outono, surge como um espetáculo silencioso, perceptível apenas para quem cruza a rodovia no período certo.

A escolha do local também é estratégica. A encosta fica em um ponto da Highway 18 que permite ampla visibilidade para motoristas, especialmente durante o período de maior contraste cromático da vegetação.

A cada ano, o ciclo se repete. O sorriso aparece, permanece por alguns meses e aos poucos, se dissolve novamente na paisagem. Estima-se que o desenho continue se formando anualmente pelos próximos 30 a 50 anos, até que as árvores atinjam o tamanho de colheita.

* Estagiária sob supervisão de Paulo Leite 

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