Com um tom conciliatório, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, garantiu aos líderes europeus que Washington pretende "revigorar" a relação transatlântica e destacou a importância do continente para ajudar os Estados Unidos a reformularem a ordem mundial. "Não buscamos a separação, mas, sim, revigorar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade", disse, na Conferência de Segurança de Munique. Rubio deixou claro, porém, que o governo de Donald Trump não precisa de ninguém para colocar em prática sua "visão de futuro". "Embora estejamos preparados, se necessário, para fazê-lo sozinhos, preferimos e esperamos fazê-lo em conjunto com vocês, nossos amigos na Europa."
- Leia também: Rússia usou toxina de rã da América do Sul para matar opositor Alexei Navalny, afirma Reino Unido; relembre o caso
A relação dos Estados Unidos e do Velho Continente sofreu um forte abalo no início do ano, quando Trump ameaçou anexar a Groenlândia à força. Agora, o líder da diplomacia norte-americana preferiu falar em união e de interesses comuns. "Queremos que a Europa seja forte." De ascendência cubana, Rubio exaltou sua herança espanhola e, dois meses depois de Washington afirmar que o continente passa por uma "extinção da civilização europeia", criticou a imigração em massa, que classificou como "uma crise que está transformando e desestabilizando o Ocidente". "Temos de retomar o controle das nossas fronteiras. Não é xenofobia nem ódio, é um exercício fundamental de soberania."
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Rubio também se posicionou contra as políticas climáticas e o livre comércio. Sem citar nominalmente a China, disse que a Europa e os Estados Unidos foram desindustrializados "em benefício de concorrentes e adversários".
ONU
Enquanto Washington cria seu Conselho da Paz, impulsionado por Trump, que convidou dezenas de países e reivindicou poderes de resoluções de conflitos, Rubio alfinetou a Organização das Nações Unidas (ONU). Na maioria das questões mais urgentes, ela não tem respostas", disse o chefe da diplomacia, ressaltando que a ONU não foi capaz de deter os conflitos em Gaza e na Ucrânia, nem o programa nuclear iraniano, alvo de ataques de Israel e dos Estados Unidos em junho de 2025.
Ele também afirmou que a instituição liderada por António Guterres nada fez diante da "ameaça à nossa segurança" representada, segundo ele, pelo "ditador narcoterrorista" venezuelano Nicolás Maduro. Em 3 de janeiro, sob acusação de tráfico de drogas, Maduro foi sequestrado em Caracas e levado para uma prisão em Nova York, onde será julgado.
O discurso de Rubio representou uma mudança em relação ao proferido um ano antes, no mesmo fórum, pelo vice-presidente JD Vance, que acusou os líderes europeus de colocarem em risco a segurança do continente com suas políticas de imigração e medidas regulatórias contra discursos extremistas e de ódio em plataformas americanas e redes sociais. "Fiquei muito tranquila com o discurso do secretário de Estado", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
"A Europa não tem feito o suficiente há muitos anos", acrescentou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que prometeu contribuir para uma arquitetura de segurança comum para o continente. "A Europa é um gigante adormecido", disse, em seu discurso. "Temos enorme capacidade de defesa, mas com planos industriais fragmentados, duplicação em algumas áreas e deficiências em outras. Tudo isso é altamente ineficiente."
Os membros europeus da Organização do Atlântico Norte (Otan), com exceção da Espanha, concordaram na cúpula de junho em aumentar seus gastos militares com defesa para 5% do PIB nacional. A medida atende a exigência de Trump de que o Velho Continente fizesse mais para se proteger.
Ucrânia
Em seu discurso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou o apelo por uma entrega mais rápida de mísseis de defesa aérea. "A maioria dos ataques tem como alvo nossas usinas de energia e outras infraestruturas críticas. Não há uma única usina de energia na Ucrânia que não tenha sido danificada por ataques russos", disse o presidente, que acusou seu homólogo, Vladimir Putin, de ser um "escravo da guerra" que não leva uma "vida normal".
Na sexta-feira, a Rússia anunciou uma nova rodada de negociações em 17 e 18 de fevereiro em Genebra com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos para tentar encontrar uma saída para o conflito, que, em breve, completará quatro anos. Rubio, que se reuniu com Zelensky à margem da Conferência, disse que não sabe se os russos "vão levar a sério a ideia de acabar com a guerra".
Em Munique, também discursou, por videoconferência, a líder opositora venezuelana e prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que destacou as consequências regionais da operação norte-americana contra Maduro. "Uma vez que desmantelarmos o regime criminal na Venezuela, Cuba será a próxima, a Nicarágua virá em seguida. Pela primeira vez na história, teremos as Américas livres de comunismo e ditadura", disse em inglês. Cuba e Nicarágua são aliadas do chavismo governante na Venezuela, atualmente liderado por Delcy Rodríguez, que foi vice-presidente de Maduro.
Saiba Mais
-
Mundo Investigação da BBC revela rede de homens que gravam mulheres em saídas à noite ao redor do mundo e vendem vídeos na internet
-
Mundo Rússia usou toxina de rã da América do Sul para matar opositor Alexei Navalny, afirma Reino Unido; relembre o caso
-
Mundo Zelensky pede aos EUA aprovação de garantias de segurança à Ucrânia
