O Irã pediu nesta sexta-feira (27/2) que os Estados Unidos abandonem as "exigências excessivas" para alcançar um acordo, depois que delegações dos dois países participaram de negociações em Genebra para evitar uma guerra.
Os diálogos com mediação de Omã acontecem sob a ameaça da maior mobilização militar americana no Oriente Médio em décadas, ordenada pelo presidente Donald Trump.
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O mandatário republicano enviou para a região o porta-aviões USS Abraham Lincoln, nove destróieres e outros três navios de guerra. Além disso, também enviou ao Mediterrâneo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford.
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse nesta sexta-feira que está "alarmado" com o risco de uma "escalada militar regional e suas consequências para a população civil".
Em uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Badr Abdelatty, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, pediu a Washington que abandone as "exigências excessivas" para alcançar um acordo.
Araghchi disse que "o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo da outra parte, além de evitar qualquer erro de cálculo e exigências excessivas".
O chefe da diplomacia iraniana não especificou a que demandas se referia.
No âmbito das negociações, Washington citou em vários momentos o programa de mísseis balísticos e o enriquecimento de urânio no território iraniano, atividades que Teerã não pretende interromper.
No discurso sobre o Estado da União, na terça-feira no Congresso, Donald Trump afirmou que o Irã já "desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa" e trabalha "para construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos".
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O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os iranianos "não estão enriquecendo" no momento, "mas estão tentando chegar ao ponto em que finalmente conseguirão fazer".
O Irã declarou em várias ocasiões que o programa de mísseis é parte do sistema de defesa do país e descartou renunciar ao enriquecimento de urânio, insistindo que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.
Contudo, Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais suspeitam que o programa busca desenvolver uma arma atômica.
Progressos significativos
Na quinta-feira, Araghchi relatou "progressos" após o fim das reuniões em Genebra e afirmou que foram abordados temas sobre o programa nuclear iraniano e o fim das sanções.
Em uma publicação nas redes sociais, o chanceler considerou a última rodada de conversações "a mais intensa até agora".
Omã, que atua como mediador entre Estados Unidos e Irã, afirmou que as duas partes terão uma reunião de nível técnico na segunda-feira, em Viena, antes de uma nova rodada de negociações prevista para a mesma semana.
O diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, participou das negociações, informou à AFP uma fonte próxima ao processo diplomático.
O Wall Street Journal informou que a equipe de negociação americana exige que o Irã desmantele suas três principais instalações nucleares e entregue todo o urânio enriquecido.
Os dois países já haviam dialogado recentemente em Omã e em Genebra.
Uma tentativa anterior de diálogo fracassou quando Israel atacou o Irã em junho de 2025, o que desencadeou uma guerra de 12 dias na qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.
Em janeiro, surgiram novas tensões entre Washington e Teerã, quando as autoridades iranianas reprimiram com violência os protestos que desafiaram o poder dos aiatolás na República Islâmica. Trump ameaçou intervir no país para "ajudar" o povo iraniano.
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