
O Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais importantes para o comércio mundial, transformou-se em uma das áreas sensíveis da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Navios em chamas e minas navais espalhadas pelas forças iranianas ameaçaram o tráfego de embarcações na região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que a Operação Fúria Épica acabou com a Marinha de Teerã e anunciou que as forças norte-americanas destruíram 28 navios minadores, responsáveis pela instalação dos explosivos. O Irã atacou vários navios no Estreito de Ormuz, incluindo um porta-contêineres, dois cargueiros e um graneleiro de bandeira tailandesa — os 20 tripulantes deste navio foram resgatados com segurança. O titular da Casa Branca afirmou que "muito em breve" haverá "grande segurança" no canal. Pouco depois, declarou que os EUA "devem terminar o trabalho" no Irã. O regime teocrático islâmico advertiu que a guerra poderá ser "longa" e "destruir a economia mundial". Também ameaçou os centros financeiros e bancos vinculados aos EUA e a Israel no Oriente Médio. O conglomerado Citigroup e a consultoria Deloitte, também presente em Brasília, foram forçadas a esvaziar seus escritórios em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
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Ali Fadavi, assessor do comandante-chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, enviou um alerta a americanos e israelenses "Eles devem considerar a possibilidade de se verem envolvidos em uma guerra de desgaste de longo prazo que destruirá toda a economia americana e a economia mundial". Em entrevista ao site Axios, Trump assegurou que "praticamente nada resta para atacar" no Irã e tornou a prever o rápido fim da guerra. "Assim que eu quiser que isso pare, vai parar', avisou, em resposta a Teerã, mas também a Israel Katz, ministro da Defesa israelense, segundo o qual a operação "continuará sem qualquer limite de tempo". No Líbano, as Forças de Defesa de Israel (IDF) intensificaram os bombardeios ao sul da capital Beirute, um bastião do movimento fundamentalista xiita Hezbollah.
Sean Foley, professor de história islâmica e de Oriente Médio da Middle Tennessee State University, classifica como "graves" os últimos desdobramentos no Estreito de Ormuz. "Eles poderiam impactar qualquer país que utilizar o canal para exportar energia ou alumínio para o resto do mundo ou importar mercadorias ou alimentos à região, mesmo após o fim das hostilidades", admitiu ao Correio. "As minas impactarão qualquer um que tentar navegar pelo Estreito de Ormuz. Os navios dos Estados Unidos são extremamente suscetíveis às minas. De fato, elas são consideradas há muito tempo o 'calcanhar de Aquiles' da Marinha dos EUA. Quinze dos 19 navios da Marinha dos EUA afundados ou seriamente danificados por ações inimigas desde 1945 foram vítimas de minas inimigas."
Foley esclarece que as minas podem provocar ainda mais caos nos mercados mundiais de energia e financeiros. Ele ressaltou que apenas três dos principais exportadores de petróleo da região (Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita) possuem rotas terrestres viáveis que não atravessam o Estreito de Ormuz. "Isso significa que partes significativas das principais exportações da região — como energia (petróleo e gás natural) e alumínio — não podem ser facilmente escoadas para o exterior. Basta vermos a forte alta nos preços do petróleo bruto na segunda-feira, que começa a ser sentida em todo o mundo. Países como Bangladesh e Filipinas estão implementando aulas on-line ou limitando o número de dias semanais de trabalho presencial dos funcionários públicos. Na Tailândia, as pessoas estão sendo orientadas a caminhar em vez de usar elevadores! Por sua vez, os países do Golfo não podem importar recursos vitais", advertiu. "Vale lembrar que 30% de todos os fertilizantes do mundo transitam pelo Estreito de Ormuz, resultado dos abundantes recursos de gás natural da região."
Em Teerã, uma multidão se reuniu na Praça Enghelab ("Revolução") para o cortejo fúnebre de autoridades mortas durante os bombardeios israelo-americanos. Os caixões foram levados em caminhão com as laterais da caçamba abertas e coberto por uma enorme bandeira do Irã e por fotos do aiatolá Ali Khamenei. Entre os corpos, estavam os de Abolrahim Moussavi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas; Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária; Aziz Nassirzadeh, ministro da Defesa; e Ali Shamkhani, assessor de Segurança. Até o fechamento desta edição, o funeral de Khamenei, morto em um ataque aéreo em 28 de fevereiro, não tinha data marcada.
Um assessor do aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo iraniano escolhido no domingo, disse que Trump é o presidente "mais corrupto e estúpido da história". "É o Satanás em pessoa", disparou Yahya Safavi. O embaixador do Irã no Chipre, Alireza Salarian, revelou ao jornal britânico The Guardian que Mojtaba sofreu lacerações no rosto e uma fratura no pé, durante o bombardeio que matou o pai, Ali Khamenei.
Para Arash Azizi, historiador da Universidade de Yale, tanto os Estados Unidos quanto o Irã flertam com a possibilidade de um cessar-fogo a curto prazo. "Ao mesmo tempo, vemos Israel iniciando uma nova atividade. Temos visto confrontos armados em Teerã envolvendo as forças de segurança, o que tem levado militares iranianos de alta patente a saírem às ruas para combates. Poderemos ter novas surpresas em breve, com elementos adicionais no conflito", disse ao Correio.

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