Ao completar um mês, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã acena com a possibilidade de uma operação envolvendo tropas norte-americanas e com o risco de desastres radioativos. As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram dois ataques a instalações do programa nuclear iraniano: uma usina de extração de urânio em Yazd, no centro do Irã, e o reator nuclear de água pesada de Arak, na mesma região. "O Exército israelense bombardeou recentemente (...) o reator de água pesada de Arak. É um importante local de produção de plutônio destinado a armas nucleares", afirmaram as IDF. Em outro comunicado militar, Israel classificou a central de Yazd como "uma instalação única no Irã, utilizada para a produção de matérias-primas necessárias ao processamento de enriquecimento de urânio".
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O Corpo de Guarda da Revolução Islâmica (Guarda Revolucionária) prometeu retaliação pelos bombardeios e instou os funcionários de companhias regionais ligadas com "acionistas americanos" e das "indústrias pesadas aliadas do regime sionista" a abandonarem "imediatamente" seus locais de trabalho. "Vocês nos testaram uma vez; o mundo viu que vocês mesmos começaram a brincar com fogo e a atacar infraestruturas. A equação não será mais 'olho por olho', esperem", advertiu Seyed Majid Moosavi, comandante da Força Aérea Espacial da Guarda Revolucionária.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), apelou às partes por "contenção militar, a fim de evitar riscos de acidente". Ele vê com preocupação recentes ataques com mísseis perto da usina nuclear de Bushehr, no centro-oeste do Irã. "Considerando que se trata de uma central nuclear em funcionamento com grande quantidade de material nuclear, (...) danos à instalação poderiam resultar em grave acidente radiológico que afetaria uma vasta área no Irã e em outros países", afirmou. A AIEA descartou um aumento nos níveis de radiação em Yazd.
Abbas Araghchi, chanceler do Irã, alertou que o seu país cobrará um "preço muito alto pelos crimes israelenses". "Israel atacou duas das maiores siderúrgicas do Irã, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas. Israel afirma que agiu em coordenação com os EUA." Depois de reunião, em Paris, com ministros das Relações Exteriores de países-membros do G7 — as sete nações mais industrializadas do mundo —, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, estimou que a guerra será concluída "em duas semanas". "Quando terminarmos com eles aqui, nas próximas duas semanas, eles estarão mais fracos do que jamais estiveram na história recente", assegurou.
Mobilização
O chefe da diplomacia de Washington disse acreditar que os EUA conseguirão seus objetivos "sem forças terrestres". No entanto, a Casa Branca cogita o envio de até 10 mil militares adicionais ao Oriente Médio, segundo a imprensa americana. O jornal The Wall Street Journal informou que a iniciativa daria ao presidente Donald Trump "mais opções militares".
Antes de viajar a Miami, Trump disse que os iranianos "estão sendo dizimados". "Estamos conversando. Eles querem um acordo." Mais tarde, durante a cúpula Future Investment Initiative, na Flórida, ele especulou sobre a condição de saúde de Mojtaba Khamenei, novo líder supremo iraniano e filho do aiatolá Ali Khamenei."Está morto ou em péssimo estado, porque ninguém o tem visto ou escutado falarem dele", declarou Trump."Este é o único país onde ninguém quer liderar." O americano instou Teerã a "reabrir o Estreito de Trump — digo, de Ormuz".
O enviado especial ao Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou esperar que Washington e Teerã temham uma reunião "esta semana". "Temos sobre a mesa um plano de 15 pontos. Esperamos que os iranianos respondam. Isso poderia resolver tudo", acrescentou. Durante a noite desta sexta-feira (27/3), um míssil de fragmentação iraniano explodiu sobre Tel Aviv e espalhou munições, matando um israelense de cerca de 60 anos e ferindo outras duas pessoas. Seis locais foram impactados. Logo depois, Teerã foi alvo de violentas explosões.
Os rebeldes separatistas huthis do Iêmen anunciaram que entrarão na guerra, se os EUA e Israel mantiverem os ataques ao Irã. "Estamos preparados para uma intervenção militar direta em caso de uma nova aliança com os Estados Unidos e Israel contra o Irã (...) da realização de operações hostis contra o Irã ou qualquer país muçulmano a partir do Mar Vermelho, (...) e caso continue a escalada contra a República Islâmica", declarou o porta-voz militar dos huthis, Yahya Saree, em vídeo divulgado na rede social X.
Líbano
Em outro front, no Líbano, o Acnur (agência das Nações Unidas para os Refugiados) advertiu para o risco "real" de "catástrofe humanitária". De acordo com as autoridades libanesas, mais de 1.100 pessoas morreram desde 2 de março. Ao menos 1 milhão de libaneses foram desalojados. Barak Medina, ex-reitor e professor de direito da Universidade Hebraica de Jerusalém, explicou ao Correio que o movimento xiita Hezbollah impõe dois tipos de ameaças à população israelense perto da fronteira norte com o Líbano.
"Uma delas é o lançamento de mísseis de fogo direto, a distâncias de até 10km. A operação terrestre de Israel visa impedir essa ameaça e tem sido bem-sucedida", afirmou. "A segunda vem de mísseis de fogo indireto, que são disparados a uma distância de 40km ou mais. Israel evita operações terrestres contra essa ameaça, pois isso exigiria a ocupação de grandes áreas."
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