Inglaterra

O mistério de Ronaldo: cobra brasileira tem filhotes sem macho

Caso raro de partenogênese em jiboia-arco-íris intriga pesquisadores e pode ser inédito no mundo

Jiboia nunca foi colocada em contato com um parceiro ao longo de sua vida -  (crédito: Reprodução/Portsmouth College)
Jiboia nunca foi colocada em contato com um parceiro ao longo de sua vida - (crédito: Reprodução/Portsmouth College)

Uma jiboia-arco-íris brasileira sob cuidados na Inglaterra voltou a chamar a atenção da comunidade científica após dar à luz sem ter tido contato com um macho pela segunda vez. O fenômeno, conhecido como partenogênese, é raro entre vertebrados e ainda mais incomum quando ocorre repetidamente no mesmo indivíduo.

A cobra chamada Ronaldo, inicialmente tratada como macho, o que explica seu nome, teve a confirmação do sexo apenas após o primeiro episódio de reprodução. Ela vive em uma instituição de ensino em  Portsmouth e já havia protagonizado um caso igual em 2024, quando deu origem à primeira ninhada, composta por 14 filhotes, sem necessidade de fecundação.

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De acordo com responsáveis pelo manejo do animal, Ronaldo nunca foi colocada em contato com um parceiro ao longo da vida. A partenogênese é um tipo de reprodução assexuada em que o embrião se desenvolve a partir de um óvulo não fecundado. O mecanismo já foi registrado em algumas espécies de répteis, aves e até tubarões, geralmente em situações específicas, como ausência prolongada de parceiros. Ainda assim, sua ocorrência é considerada incomum e na maioria dos casos, acontece apenas uma vez ao longo da vida do animal.

Veterinários do local apontam que o caso da Jiboia pode representar um evento raro até mesmo dentro desse fenômeno. A repetição do processo levanta questionamentos sobre os fatores biológicos que permitem esse tipo de reprodução e sobre a capacidade adaptativa da espécie.

Do ponto de vista genético, filhotes gerados por partenogênese tendem a ter menor diversidade, já que herdam apenas material genético da mãe. Isso pode trazer pontos para a sobrevivência a longo prazo, mas também oferece pistas importantes para o estudo da evolução e da reprodução em ambientes controlados.

A nova ninhada segue sendo acompanhada por especialistas, que devem analisar o desenvolvimento dos filhotes e possíveis padrões genéticos. 

*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca 

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postado em 01/04/2026 16:16
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