A ideia de trabalhar menos horas sem reduzir o salário está deixando de ser um sonho para se tornar realidade em vários países. Empresas e governos ao redor do mundo, da Europa à Oceania, testam modelos de jornada reduzida, como a semana de quatro dias, e os resultados mostram que a mudança pode beneficiar tanto funcionários quanto empregadores.
O foco dessas iniciativas não é trabalhar menos, mas sim de forma mais inteligente. A premissa é que um tempo de descanso maior aumenta o foco e a produtividade durante o período de trabalho, além de melhorar a saúde mental e o equilíbrio com a vida pessoal. O modelo mais comum é o “100-80-100”, que defende 100% do salário, 80% do tempo de trabalho e 100% da produtividade.
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O que dizem os resultados dos testes?
O maior teste global já realizado sobre a semana de quatro dias, conduzido no Reino Unido entre junho e dezembro de 2022, trouxe conclusões animadoras. No projeto-piloto, 61 empresas e cerca de 2.900 funcionários adotaram a jornada reduzida. Ao final, 92% das companhias (56 de 61) decidiram manter o novo formato. Os relatórios apontaram que 71% dos funcionários relataram níveis mais baixos de esgotamento (burnout).
Para as companhias, a produtividade se manteve estável. De acordo com o estudo, conduzido por pesquisadores das universidades de Cambridge e Oxford e do Boston College, a receita das empresas participantes cresceu em média 1,4% durante o período. Além disso, houve uma queda de 57% nos pedidos de demissão, destacando a capacidade do modelo para atrair e reter talentos.
Modelos adotados pelo mundo
As abordagens variam de acordo com a legislação e a cultura de cada lugar. Conheça alguns dos principais exemplos de países que já adotaram ou testaram a redução da jornada de trabalho:
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Bélgica: Desde 2022, uma lei permite que os trabalhadores solicitem a condensação da carga horária semanal em quatro dias. A quantidade total de horas trabalhadas permanece a mesma, mas concentrada para garantir um dia livre extra.
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Islândia: Foi um país pioneiro, com testes em larga escala realizados entre 2015 e 2019. Os resultados, que mostraram manutenção da produtividade e melhora no bem-estar, levaram sindicatos a renegociar contratos, e hoje a grande maioria da força de trabalho islandesa tem direito a uma jornada reduzida ou a horários mais flexíveis.
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Japão: Apesar da cultura de longas horas de trabalho, grandes empresas têm testado o modelo. Em um conhecido projeto de 2019, a Microsoft Japão implementou a semana de quatro dias e relatou um aumento de 40% na produtividade.
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Nova Zelândia e Austrália: Nesses países, a adoção da semana de quatro dias tem sido liderada por empresas de forma independente, sem uma legislação nacional específica. Companhias que implementaram o modelo relatam aumento no engajamento dos funcionários e melhora na atração de talentos.
Esses projetos indicam uma tendência global de repensar a estrutura tradicional de trabalho. A redução da jornada surge como uma ferramenta estratégica para promover bem-estar, reter talentos e, ao mesmo tempo, sustentar o crescimento dos negócios em um mercado cada vez mais competitivo.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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