Com as cotações do petróleo em nova escalada, e pressionado pela oposição democrata, o presidente Donald Trump aguardava ontem um informe do Comando Central (CentCom), que responde pela operações militares no Oriente Médio, sobre novas opções de ataque ao Irã. A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro, completa hoje 60 dias desde que a ofensiva foi comunicada oficialmente ao Congresso. A Lei sobre Poderes de Guerra, aprovada depois do conflito no Vietnã, determina esse prazo para que a Casa Branca solicite formalmente ao Legislativo autorização para seguir com operações militares.
De acordo com o site Axios e a agência de notícias Reuters, o comandante do CentCom, o almirante Brad Cooper deveria oferecer ao presidente opções para "uma sequência breve e poderosa" de operações. O objetivo imediato seria romper o impasse militar no Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Mar de Omã e é via marítima incontornável para 20% do petróleo negociado nos mercados globais. Desde o início da guerra, o Irã mantém praticamente interditada a passagem de navios "inimigos". Em resposta, Trump determinou há pouco mais de duas semanas o bloqueio naval aos portos iranianos, apostando em asfixiar a economia do adversário.
A consulta da Casa Branca ao CentCom coincide com uma nova disparada do petróleo, com o preço do barril cotado durante o dia em até US$ 126 — o maior valor desde a eclosão da guerra na Ucrânia, em 2022. A alta reflete a insegurança dos investidores diante das declarações do presidente norte-americano sobre o bloqueio em Ormuz. Trump classificou a manobra como "genial" e acenou com a sua manutenção "durante meses", até que o regime de Teerã "peça socorro e diga que desiste".
"Estreito de Trump"
Confiante no sucesso, o titular da Casa Branca chegou ontem a publicar, em sua conta na própria rede social, a Truth Social, um mapa no qual rebatiza a via marítima com o próprio nome: "Estreito de Trump". Uma mensagem de e-mail que circulou no Departamento de Estado, e à qual a Reuters teve acesso, menciona uma articulação diplomática para formar, uma vez resolvida a guerra com o Irã, uma "Coalizão pela Liberdade Marítima". Coordenado pelos EUA, o mecanismo reuniria outros países, em especial europeus, para manter o controle sobre a navegação pelo Golfo Pérsico e garantir a passagem segura de petroleiros e outros navios mercantes.
A resposta iraniana veio em uma nova declaração — escrita — atribuída ao novo líder supremo do regime islâmico. O aiatolá Mojtaba Khamenei sucedeu o pai, Ali Khamenei, morto em bombardeio nas primeiras horas da guerra, e desde então não é visto em público. A nova nota diz que o bloqueio naval dos EUA "está fadado ao fracasso" e projeta a vitória do Irã. "Dois meses após a maior mobilização militar e agressão dos assediadores do mundo na região, e a vergonhosa derrota dos EUA, um novo capítulo se desenrola no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz", afirma o texto.
A mensagem foi reforçada, na rede social X, pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que encabeçou a delegação iraniana na fracassada tentativa de negociações cara a cara com os EUA, no Paquistão, em meados de abril, e emerge como uma das figuras centrais da nova liderança do país, que substitui dirigentes mortos nos ataques dos EUA e de Israel. "Ao gerir o Estreito de Ormuz, o Irã garantirá para si mesmo e para os vizinhos um futuro livre da presença e da interferência dos EUA", escreveu Ghalibaf.
Pressão no Congresso
Trump voltou a confrontar a oposição democrata, que, embora minoritária, fez nova tentativa de invocar a Lei Sobre Poderes de Guerra para exigir da Casa Branca um pedido de autorização para seguir com as operações militares no Oriente Médio. O texto legal permite que o presidente recorra às Forças Armadas, sem consulta ao Legislativo, quando entender que o país está sob ameaça iminente de ataque. Passados 60 dias, porém, ele deve solicitar uma declaração formal de guerra, ou pedir um prazo adicional de 30 dias — mas apenas para proceder à retirada das tropas do cenário de combates.
A minoria opositora invocou o dispositivo repetidas vezes, no atual mandato de Trump. A última delas foi barrada ontem, no Senado, pela maioria governista, sob a alegação de que a contagem do prazo de 60 dias estaria interrompida desde 8 de abril, quando EUA e Irã anunciaram um cessar-fogo — com duração inicial de 10 dias, mas prorrogado por tempo indeterminado. "Eles (os democratas) voltam o tempo todo com essa coisa dos 'poderes de guerra'", disse o presidente. "Eu estou negociando um acordo com o Irã, mas toda semana, a cada três dias, eles vêm com essa conversa de acabar com a guerra."
