O papa Leão XIV voltou a fazer um alerta sobre os impactos da Inteligência Artificial na sociedade e defendeu que os avanços tecnológicos sejam guiados por princípios humanos e éticos. A declaração foi feita neste domingo (17/5), durante a oração do Regina Caeli, no Vaticano, em referência ao 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado em países como o Brasil.
Neste ano, a data tem como tema “Preservar vozes e rostos humanos”. Ao comentar o assunto, o pontífice afirmou que a comunicação não pode perder sua dimensão humana diante do crescimento das tecnologias digitais. “Nesta época da Inteligência Artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica”, disse o papa.
Na mensagem divulgada para a data, Leão XIV também criticou o funcionamento dos algoritmos das redes sociais. Segundo ele, os sistemas criados para aumentar o engajamento acabam favorecendo reações rápidas e emocionais, enquanto dificultam o pensamento crítico e a reflexão.
“Os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais recompensam as emoções rápidas e, ao contrário, penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão”, afirmou.
O papa ainda alertou para o risco de uma confiança excessiva na Inteligência Artificial como ferramenta capaz de oferecer respostas prontas para todos os problemas. “Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica”, declarou.
Outro ponto destacado por Leão XIV foi o impacto da IA sobre a produção cultural e criativa. O pontífice afirmou que áreas como música, literatura, arte e comunicação enfrentam transformações profundas com o avanço das ferramentas automatizadas. “Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta ‘Powered by AI’”, disse.
Apesar das críticas, o líder da Igreja Católica não defendeu limitar o avanço tecnológico. Para ele, o desafio está em usar essas ferramentas de forma consciente, sem abandonar capacidades humanas fundamentais. “Renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos”, afirmou.
Em uma das falas mais contundentes da mensagem, o papa resumiu o alerta sobre a relação entre humanidade e tecnologia: “Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.”
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