Oriente Médio

Ativista brasiliense de flotilha a Gaza condena maus-tratos

Em entrevista ao Correio, Thiago Ávila afirma que mundo ficou chocado com humilhação sofrida pelos tripulantes da nova missão e denuncia que muitos foram "estuprados" e "torturados" por militares de Israel

Tripulante da penúltima flotilha humanitária para a Faixa de Gaza, o ativista brasiliense Thiago Ávila, preso por Israel e deportado para o Brasil em 10 de maio passado, estuda na Turquia os próximos passos da Sumud Global Flotilla. Nesta quinta-feira, Ávila recebeu, na Turquia, o primeiro grupo da mais recente missão a Gaza, depois de serem expulsos pelo governo do Estado judeu. Em entrevista ao Correio, Ávila condenou o comportamento de Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança israelense, e denunciou: "O cenário aqui é muito crítico, várias pessoas foram estupradas e torturadas". Em vídeo publicado pelo próprio Ben-Gvir, o ministro de Benjamin Netanyahu debocha dos ativistas, que têm as mãos atadas às costas e aparecem ajoelhados, com a testa apoiada no chão. 
"O mundo ficou em choque quando viu o tratamento do regime sionista de Israel aos particpantes não violentos da missão humanitária de solidariedade da flotilha para romper o cerco a Gaza. Infelizmente, esse tratamento é recorrente e mostra, no vídeo, uma pequena fração do que a gente passa quando não está diante das câmeras em nossas missões e uma pequena fração do que os palestinos passam todos os dias nas prisões e masmorras de Israel", afirmou Ávila. Segundo ele, a violência exaltada por Ben-Gvir foi condenada pela comunidade internacional. "Até países aliados de Israel manifestaram repúdio. Itamar Ben-Gvir é um criminoso de guerra. Ele sempre tenta causar o maior dano possível às pessoas", acrescentou o brasiliense. 
O premiê Benjamin Netanyahu chegou a dizer que os maus-tratos dispensados aos ativistas da flotilha não são compatíveis com os valores de Israel. "Mas ele estava lá, apoiando a aprovação do enforcamento dos palestinos, uma nova lei de pena de  morte. Também incentiva a colonização da Cisjordânia ocupada, a destruição de Gaza e o genocídio", disse Thiago Ávila. "Nós nunca aceitaremos os ataques às nossas missões humanitárias, que são totalmente legais perante o direito internacional. São protegidos pela lei dos mares, pelas decisões liminares da Corte Internacional de Justiça."
 

 

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