
Foi uma noite de terror para os moradores da capital da Ucrânia, Kiev, e de Dnipro, no sudeste do país. Enquanto as atenções do mundo se voltavam para o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, a Rússia realizou um dos mais letais ataques à ex-república soviética. Durante a madrugada desta terça-feira (2/6), centenas de drones e dezenas de mísseis balísticos foram disparados pelas forças de Vladimir Putin contra a Ucrânia, deixando pelo menos 22 mortos. "Hoje (terça-feira), foi um dia difícil, depois uma massiva ofensiva russa. (...) Mais uma vez, estamos enfrentando ameaças aéreas. Os ataques russos ceifaram 22 vidas em Kiev e em Dnipro, inclusive de crianças. Estamos fazendo de tudo para proteger nosso povo, nossas cidades e nossas comunidades", escreveu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na rede social X.
"O nível atual de suprimentos da defesa área não nos permite interceptar uma partilha importante de mísseis. Na noite passada, houve impactos diretos", lamentou Zelensky, em outra mensagem de vídeo no X. Ele cobrou uma postura proativa de aliados. "Todos os nossos parceiros, e todos na Europa, devem continuar trabalhando juntos para garantir mísseis para nossa defesa aérea, bem como os sistemas, informações críticas e outros recursos que ajudam a salvar vidas. É cristalino que a Europa precisa de seu próprio sistema antibalístico com capacidade e poder suficientes para garantir proteção contra qualquer ameaça. Se a Ucrânia não estiver protegida contra mísseis e outros projéteis, estes ataques continuarão", acrescentou.
Várias horas depois dos bombardeios, socorristas ainda removiam corpos de escombros dos prédios atingidos. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, acusou Putin de não ter "mais cartas além do terror" e assegurou que "Moscou está perdendo no campo de batalha". Morador de Kiev, Peter Zalmayev — diretor da ONG Eurasia Democracy Initiative — explicou ao Correio que o Kremlin está sentindo o impacto gigantesco das sanções fdinanceiras, além das consequências da guerra, como a inflação crescente e problemas econômicos. "O governo russo tem cavado um buraco cada vez mais profundo para si mesmo, e tenta cortar gastos na educação e na saúde, mas não em sua guerra."
Professor de política comparada da Universidade de Kiev-Mohyla, Olexiy Haran relatou uma madrugada de medo. "Durante a madrugada (desta terça-feira), o barulho das interceptações dos mísseis pelas baterias antiaéreas foi muito assustador. Sou velho demais para correr até o abrigo, mas 40 mil adultos e crianças passaram a noite nos bunkers e estações de metrô. Minha filha caçula precisou se proteger no abrigo. Pela manhã, tentou pegar o metrô, mas não conseguiu trabalhar, pois os trens atrasaram em duas horas."
Muitos alunos de Haran pediram-lhe que adiasse as aulas desta terça-feira, porque precisaram dormir na primeira metade do dia, depois de uma noite difícil. "A vida continua. Nós seguimos tentando descansar, até soar o alarme antiaéreo e até vermos prédios em ruínas. O front segue em um impasse: em alguns locais, os nossos soldados estão liberando pequenas porções dos territórios ucranianos. Temos realizado ataques dentro do território russo", disse Haran.
EU ACHO...
"Cidadãos da Europa e de outras regiões demonstram forte apoio à Ucrânia. A China, basicamente, apoia a Rússia. Seria hipocrisia afirmar que os chineses adotaram a neutralidade. Estou muito surpreso por não haver uma reação forte da Brasil, da Índia e da África do Sul. O mundo deveria dar um basta a essa matança. Isso é muito frustrante para nós."
Olexiy Haran, professor de política comparada da Universidade de Kiev-Mohyla

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