
GIOVANNA KUNZ E RODRIGO CRAVEIRO
A filha da brasiliense Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, vítima dos terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira, decidiu falar sobre a morte da mãe. Em entrevista exclusiva ao Correio, Bruna Zacarias, 26 anos, afirmou que aceitou conceder o depoimento para preservar a memória de Vanessa e fazer um apelo para que a família possa viver o luto em paz, sem novas exposições.
Moradora do Gama, no Distrito Federal, Vanessa tinha se mudado para Caracas cerca de dois meses atrás para viver com o companheiro, com quem mantinha um relacionamento havia mais de 12 anos. Ela morreu após ser atingida durante o desabamento parcial da residência onde estava no momento dos tremores.
Segundo Bruna, a dor da perda é impossível de medir. No entanto, ela externou o desejo de que a mãe seja lembrada pela pessoa que foi durante a vida. "Minha mãe foi uma mulher sensacional. Nunca deixou ninguém na mão, sempre ajudou todo mundo. Ela tinha muita gente que a amava", conta. A filha de Vanessa também agradeceu pelas inúmeras manifestações de carinho recebidas desde a confirmação da morte. "Recebemos muitas mensagens de carinho e agradecemos por todas elas", disse.
Bruna explicou que decidiu romper o silêncio para que a mãe fosse retratada com respeito. "Eu quero que a memória da minha mãe, já que saiu em todos os lugares, seja publicada da forma que merece." Ela também fez questão de reconhecer o apoio prestado pela Embaixada do Brasil em Caracas durante todo o processo. "A Embaixada do Brasil na Venezuela foi essencial para nos ajudar", destacou.
De acordo com Bruna, todas as providências necessárias foram tomadas pela família diante da situação. "O problema está resolvido. A família tomou as providências cabíveis diante do que era viável ser feito", esclareceu. Neste momento, o principal pedido é para que a família possa viver o luto com tranquilidade. "A gente quer viver o nosso luto, agora, em paz", desabafou.
Para Bruna, o que deve permanecer é a lembrança da mulher que marcou a vida de quem esteve ao seu lado. "Ela foi muito amada pelos irmãos, pelas sobrinhas, pela mãe e por mim. A gente ama muito ela e vai sentir muita falta, todos os dias."
Passeio trágico
Natural de Chapada de Minas (MG), o pastor Romildo Batista de Lima, 69 anos, é a segunda vítima brasileira dos terremotos de quarta-feira. Ao Correio, Jhulya Lima, 23, sobrinha de Romildo, contou que o tio morava em Uberlândia. "Ele viajou a Caracas com a esposa, Carlha Nacarid León, que é venezuelana, para visitar os pais dela. Também foram comemorar o aniversário dele, em 21 de junho passado", disse. Ela explicou que uma tia soube pela televisão do terremoto e tentou entrar em contato com Romildo. "A Carlha ligou para nós e confirmou que a área onde estavam foi afetada. Ela relatou que ambos estavam no hospital, mas que não tinha notícias do meu tio, porque foram para locais diferentes do estabelecimento. Na madrugada, Carlha recebeu a notícia de que meu tio havia morrido", comentou Jhulya.
A sobrinha denunciou um "descaso" muito grande do Itamaraty. "Eles não nos ajudaram em nada. Quem está nos auxiliando é o pessoal da embaixada do Brasil em Caracas. Com relação ao custo para trazer o meu tio, tentamos ver se o Itamaraty conseguia arcar com esse valor, mas não houve retorno. Estamos organizando uma vaquinha para ajudar a bancar esse custo", declarou Jhulya. Ela fala com carinho do tio. "Era uma pessoa muito boa. Amava viajar e conhecer o mundo todo. Era pastor, mas não atuava em uma igreja. Apesar disso, levava a palavra de Deus para onde ia, era uma pessoa muito amorosa. Para ele, não tinha tempo ruim. Brincava e fazia piada."
Consultado pelo Correio, o Itamaraty informou que, por intermédio de sua embaixada em Caracas, "acompanha a situação da comunidade brasileira na Venezuela desde o primeiro momento após os terremotos, prestando a assistência consular devida a todos os brasileiros que a solicitaram, nos termos da legislação vigente". "O diálogo com as famílias e o atendimento nos casos de óbito ocorrem em estrita consonância com a referida normativa consular", assegurou o Ministério das Relações Exteriores.

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