Especialistas da ONU denunciaram, nesta terça-feira (2/6), que as tentativas dos Estados Unidos de desestabilizar Cuba, como parte de uma estratégia de "coerção", evocam "práticas coloniais".
"As tentativas de alterar a ordem constitucional de um Estado soberano por meio de ameaças e coerção lembram práticas da era colonial", afirmaram os especialistas em um comunicado. Em sua opinião, "as declarações do presidente dos Estados Unidos (Donald Trump) sobre 'a honra de tomar Cuba' refletem uma estratégia profundamente preocupante de coerção contra um Estado soberano".
"Essa declaração não é mera retórica, mas parte de uma estratégia mais ampla que inclui o embargo de longa data contra Cuba, sua inclusão na lista de Estados patrocinadores do terrorismo, o recente bloqueio de combustível e a imposição de medidas coercitivas a terceiros", afirmaram. Esses especialistas são encarregados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome da organização.
Cuba, país sujeito a um embargo dos EUA desde 1962, enfrenta uma grave crise econômica há anos, agravada nos últimos meses pelo bloqueio do petróleo imposto por Washington e outras sanções econômicas americanas.
Os Estados Unidos aumentaram ainda mais a pressão sobre a ilha na semana passada, quando processaram seu ex-presidente Raúl Castro, acusado de assassinar cidadãos americanos em um caso que remonta a 1996.
Os especialistas acreditam que essa acusação "parece estar relacionada a esses esforços para minar a soberania de Cuba", assim como o recente envio do porta-aviões Nimitz para o Mar do Caribe.
Essas ações, que ocorrem "após o sequestro do presidente venezuelano [Nicolás] Maduro em janeiro de 2026" e a proclamação do presidente Trump, em março de 2026, da "chamada 'Doutrina Donroe', que afirma a dominância dos EUA sobre o Hemisfério Ocidental", suscitaram grande alarme. Os especialistas instaram Washington a "cessar imediatamente todas as ameaças à soberania de Cuba".
Eles também apelaram aos membros da ONU para que "se abstenham de reconhecer ou implementar medidas que violem os princípios da igualdade soberana e da não intervenção, e para que tomem todas as medidas apropriadas no âmbito da ONU para defender a ordem jurídica internacional".
Instaram ainda o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU a "tratarem urgentemente as ameaças contra Cuba como uma questão de paz e segurança internacionais".
Saiba Mais
-
Mundo Jantar dos correspondentes da Casa branca será realizado novamente em julho
-
Mundo Marco Rubio exclui Brasil ao citar países aliados na América
-
Mundo Lula culpa Flávio e Eduardo Bolsonaro por ameaça de novo tarifaço de Trump: 'São piores que o pai, traidores da pátria'
-
Mundo Noivo morre em acidente de helicóptero horas depois de deixar cerimônia
-
Mundo Corte dos EUA impede retirada de militares trans das Forças Armadas
-
Mundo 'Obstáculos ao comércio e a investimentos': Câmara Americana de Comércio para o Brasil cita aumento de custos após governo Trump ameaçar novas tarifas
