
Diante do que classificou como uma "invasão" migratória em território espanhol, o governo da Itália decidiu suspender, nesta sexta-feira (31/7), a livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do espaço Schengen. A decisão foi anunciada pela primeira-ministra Giorgia Meloni em conjunto com os vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini, horas depois da chegada de milhares de migrantes ao enclave de Ceuta.
Como Itália e Espanha não fazem fronteira terrestre, a medida na prática fecha as conexões aéreas e marítimas entre os dois países e reintroduz a obrigatoriedade de inspeção para quem desembarcar em solo italiano vindo do território espanhol. Em nota, o chanceler Tajani classificou a decisão como uma escolha necessária para proteger a segurança dos italianos e conter a pressão nas fronteiras europeias, chamando a medida de inevitável diante do cenário atual.
A origem da crise está na chegada, em poucas horas, de quase 60 mil pessoas que entraram em Ceuta por mar e por terra vindas do Marrocos, em sua maioria homens jovens. A cidade autônoma espanhola, com cerca de 84 mil habitantes, viu seus centros de acolhimento se esgotarem rapidamente e chegou a pedir ao governo central a declaração de emergência nacional, o pedido foi negado por Madrid.
O Executivo espanhol reagiu com dureza à postura italiana. O ministro das Relações Exteriores da Espanha convocou o embaixador da Itália em Madrid para prestar esclarecimentos e rejeitou qualquer ligação entre a onda migratória e a política de regularização de imigrantes adotada pelo país, atribuindo o episódio à ação de redes de tráfico humano que teriam se aproveitado de uma recente decisão da Suprema Corte espanhola sobre migrantes que atravessam a nado.
Apesar da resistência espanhola, a posição italiana ganhou adesão de outros governos europeus nas horas seguintes. Finlândia, Países Baixos, Dinamarca, República Tcheca e Suécia se aproximaram da posição da Itália, reforçando críticas à forma como Madrid vem lidando com a proteção da fronteira externa do bloco. Juristas ouvidos pela agência France-Presse, no entanto, apontam que uma suspensão mais ampla do Acordo de Schengen seria de difícil aplicação dentro do arcabouço legal vigente.

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