Migrantes

Sobe para 34 o número de imigrantes mortos ao tentar chegar à Espanha pelo mar

Milhares de pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol nesta semana; Espanha reforça a segurança com apoio da União Europeia

Mais de 49 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, segundo o Ministério do Interior da Espanha. 
       -  (crédito:  AFP)
Mais de 49 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, segundo o Ministério do Interior da Espanha. - (crédito: AFP)

Autoridades da Espanha afirmaram nesta sexta-feira (31/8) que pelo menos 34 pessoas morreram nas águas de Ceuta, segundo a agência de notícias espanhola AFP. Os corpos foram encontrados após milhares de pessoas atravessarem a fronteira entre o Marrocos e o exclave espanhol pelo mar, na quinta-feira (30). 

Mais de 60 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, segundo o Ministério do Interior da Espanha. A maioria são jovens marroquinos, mas também famílias e crianças. O local é uma cidade autônoma espanhola no norte da África, na margem africana da desembocadura oriental do estreito de Gibraltar.

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"Quero expressar, da forma mais sincera, em nome de todos nós, nossa mais profunda tristeza e pesar" pelas "34 mortes causadas por essa avalanche", disse o presidente de Ceuta, Juan Vivas, em uma coletiva de imprensa.

Essa rota é considerada uma das mais perigosas e organizações humanitárias registram centenas de mortes todos os anos em tentativas de travessia pelo mar.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o exato momento. De acordo com informações da agência  EFE, o local recebe dezenas de marroquinos diariamente há pelo menos dez dias. Antes da cerca de segurança da fronteira ser liberada, muitos a escalaram para passar.

Moradores flagraram a chegada da multidão. A travessia entre os dois países, feita por meio de Fnideq, cidade marroquina mais perto do enclave espanhol, foi feita a pé e até mesmo a nado. Os policiais, incapazes de segurar o fluxo, permitiram a entrada de todos. 

Segundo autoridades regionais, 1,5 mil pessoas chegaram a Ceuta na semana passada, entre os dias 20 e 25 de julho. As travessias também continuaram na madrugada desta sexta-feira, com alguns confrontos entre a polícia e os migrantes. Imagens compartilhadas online parecem mostrar pedras sendo atiradas por cima das passagens de fronteira e milhares de jovens migrantes dormindo nas ruas.

No centro de acolhimento de imigrantes da região, mais de 400 pessoas aguardavam a admissão, nesta quarta-feira (29/7). As 512 vagas totais já haviam sido preenchidas. Algumas adicionais também já estavam esgotadas. 

A migração em massa é motivada, principalmente, pela falta de empregos e condições precárias de vida nas cidades vizinhas, como em Fnideq. A onda de travessias recente ocorre após a Suprema Corte da Espanha ter decidido, neste mês, que migrantes interceptados no mar enquanto tentam chegar a Ceuta ou Melilla, outro enclave espanhol, não podem ser sumariamente devolvidos a Marrocos.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez anunciou uma visita para hoje a Ceuta ao lado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo também prometeu reforçar a cooperação com Marrocos para controlar a fronteira e acelerar os processos de retorno de migrantes quando houver base legal para isso. 

A União Europeia, por sua vez, declarou apoio ao governo do país e afirmou estar pronta para ampliar a cooperação no controle da fronteira externa do bloco. Entre as medidas estudadas está o reforço da atuação da Frontex, a agência europeia responsável pelo controle das fronteiras. 

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postado em 31/07/2026 08:58 / atualizado em 31/07/2026 09:50
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