O dinheiro seria o bastante para comprar 1.831 carros da Ferrari, modelo 12Clindri coupé, de 830 cavalos. Ou 1.208 apartamentos de cobertura de 590 metros quadrados e quatro suítes no Noroeste. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faturou nada menos do que US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões) desde 20 de janeiro de 2025, quando retornou à Casa Branca. O patrimônio do republicano praticamente quadruplicou em 18 meses. A maior parte dos ganhos é oriunda das criptomoedas, as quais dependem da regulação do governo. A informação, que consta das 927 páginas da declaração financeira de Trump relativa a 2025, sugere possíveis desvios éticos e conflitos de interesse.
Jordan Libowitz, vice-presidente de comunicações da Citizens for Responsability and Ethics in Washington (Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington), uma ONG que fiscaliza a conduta do governo, disse que Trump arrecadava uma "quantia impressionante de dinheiro" durante o primeiro mandato. "Tudo isso parece insignificante perto do montante que ele está arrecadando agora", advertiu. A declaração financeira do titular da Casa Branca traz alguns dados controversos: um aumento da receita do resort de golfe Mar-a-Lago — de US$ 10 milhões em seu primeiro mandato para US$ 77 milhões — ou milhões em taxas de transação gerados pela criptomoeda $Trump.
Em entrevista ao Correio, Kathleen Clark — professora de direito da Universidade de Washington (em St. Louis, Missouri) — declarou que seria um erro afirmar que Trump "ganhou US$ 2,2 bilhões" no ano passado. "Ele não ganhou, mas recebeu esse dinheiro. Precisamos classificar esses pagamentos corretamente: como subornos ou, no mínimo, como o resultado ilícito do abuso de poder público para obter ganhos financeiros privados", comentou.
Segundo Clark, afirmar que o caso representa um "grave conflito ético" equivale a "subestimar radicalmente a gravidade da situação". "Trump não está apenas agindo de forma antiética, nem apenas se envolvendo em um conflito de interesses. Com a aquiescência de um Congresso controlado pelo Partido Republicano e a assistência ativa da Suprema Corte controlada pela mesma legenda, Trump transformou a Presidência dos EUA em uma operação de corrupção em escala industrial", advertiu a especialista.
Por sua vez, Richard Painter, professor de direito corporativo da Universidade de Minnesota, assegurou ao Correio que, à exceção de Trump, nenhum presidente desde a Guerra Civil teve conflitos de interesse financeiros substanciais em relação às atribuições da presidência. "Nenhum presidente jamais manteve negócios significativos com governos estrangeiros desde a fundação do país; de fato, o recebimento de emolumentos (lucros e benefícios) de governos estrangeiros viola a cláusula de emolumentos da Constituição", disse.
