Era por volta de 7h30 pelo horário de Biddeford, Maine (8h30 em Brasília), quando o arquiteto Daniel Boucher, 71 anos, escutou um som parecido com fogos de artifício. Achou estranho e desceu, correndo, as escadas de casa até a rua. "Vi o carro do ICE (a polícia da Imigração) tentando cercar um sedã branco menor. O sedã seguiu em direção à esquina onde moro. O ICE, então, bateu novamente contra o carro branco", contou ao Correio. "Os agentes abriram a porta do motorista e o puxaram para fora. Sua cabeça e seu rosto estavam cobertos de sangue. Tentaram uma ressuscitação cardiopulmoar, mas ele morreu. Pude ver sua barriga parando de se mexer. Depois, vi o agente do ICE que atirou nele passar por mim, a cerca de seis metros de distância, enquanto um colega o consolava. E disse a ele o que pensava sobre aquilo, e ele me respondeu que a vítima 'tinha tentado atropelá-lo'. Foi muito traumático", acrescentou Boucher.
O incidente que levou à morte de Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos e pai de uma menina, provocou uma onda de protestos na cidade de 22,5 mil habitantes. As circunstâncias do assassinato estão sob investigação. De acordo com o gabinete do procurador-geral do Maine, um agente do ICE relizava uma operação para cumprir uma definitiva de expulsão dos EUA "quando o indivíduo tentou fugir em um veículo na direção do oficial e foi abatido". O jornal local Portland Press Herald, no entanto, divulgou que Guerrero não era o alvo da operação do ICE.
Vizinho de Guerrero, o guatemalteco Nelson Elias relatou ao Correio que escutou seis disparos na manhã desta segunda-feira. "Saí de casa para ver o que tinha acontecido. Eu o vi estirado na rua. Sua esposa e sua filha estavam ali, chorando, inconsoláveis", disse. "Foi terrível de se ver, porque ele era meu vizinho e eu o via com frequência. Era uma pessoa muito tranquila e calada. Creio que Joan estava focado em fazer seu trabalho e em cuidar da família."
