
Enquanto a Copa do Mundo celebra a união entre os povos, os bastidores do torneio nos Estados Unidos revelam uma realidade bem diferente para algumas delegações da África e da Ásia. Para falar sobre o tema, o Correio entrevistou a pedagoga e mestre em relações étnico-raciais Luiza Mandela.
Segundo ela, a questão dos povos africanos e asiáticos terem que enfrentar barreiras para entrar nos Estados Unidos é considerada uma forma de racismo. "A partir do momento que existe um tratamento diferenciado para povos africanos em específico, com relação a outros povos, a outras seleções, sobretudo seleções predominantemente com pessoas de pele branca, a gente pode considerar sim racismo”, afirma.
É o caso do renomado árbitro somali Omar Artan, que segundo o jornal britânico The Guardian, teve sua entrada negada nos EUA após viajar com um visto que antes era considerado válido. O motivo pelo qual a Fifa escolheu não realocar Artan para partidas no Canadá e no México permanece incerto.
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De acordo com o The Guardian, o atacante da seleção do Iraque, Aymen Hussein, foi retido e interrogado por quase sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, enquanto o fotógrafo da equipe foi proibido de entrar após verificações em seu celular. Já os membros da seleção de Senegal foram forçados a passar por inspeções detalhadas de bagagem na própria pista do aeroporto e a seleção do Uzbequistão foi revistada por cães farejadores de drogas em seu centro de treinamento em Nova York.
Para Luiza Mandela, o racismo exposto é consequência das políticas de segregação racial que ocorreram no país nos séculos XIX E XX. “Essas políticas migratórias dos Estados Unidos promovem realmente um reforço a esse racismo que já existe. Lá existiam políticas de segregação racial, e a xenofobia ainda é um ponto muito forte, inclusive desse governo do Donald Trump”, lamenta.
Não são apenas as pessoas negras que estão suscetíveis ao racismo nas políticas migratórias americanas, mas também povos africanos, de partes específicas da Ásia e da América Latina que sofrem com xenofobia. “Dificultam o transitar das pessoas que não estão dentro de um padrão universal e universalizante imposto pela branquitude”, explica Luiza Mandela.
A pedagoga também destaca a importância do letramento racial para ajudar as pessoas a identificarem situações de racismo, e, assim, combatê-las e responsabilizar seus autores.
*Estagiário sob a supervisão de Luiz Felipe

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