Américas

EUA e OEA repudiam a escalada autoritária de Ortega na Nicarágua

Marco Rubio, chefe da diplomacia de Washington, cobra ação internacional contra o regime de Daniel Ortega, que anunciou o fim das eleições. Por sua vez, o secretário-geral da OEA, Alberto Randim, acusa o presidente nicaraguense de "abandonar a democracia"

Washington e a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenaram o anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de proibir a realização de eleições no país da América Central. A decisão busca anular a oposição e representa uma escalada autoritária sem precedentes em Manágua. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump e a comunidade internacional "não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura Murillo-Ortega aprofunda a repressão e fabrica uma instabilidade que ameaça a segurança nacional dos EUA".

"A promessa de Ortega de abolir as eleições na Nicarágua comprova sua covardia e seu medo da vontade do povo nicaraguense", destacou o chefe da diplomacia da Casa Branca, em uma publicação na rede social X. Em outra manifestação, por meio de um comunicado, Rubio disse que "a declaração de Ortega de que a Nicarágua jamais realizará eleições novamente demonstra sua verdadeira natureza autoritária". Ele pediu à comunidade internacional que "una forças" para mostrar à "ditadura que ela não pode continuar fingindo que nada está acontecendo".

Alberto Randim, secretário-geral da OEA, disse que o regime nicaraguense "abandonou a democracia e até mesmo sua aparência". "A eliminação das eleições constitui a negação definitiva do direito soberano do povo de escolher o seu governo. Eleições livres, justas e periódicas não são opcionais; são um elemento essencial da democracia representativa. A erosão da democracia em qualquer país das Américas nunca é uma questão exclusivamente interna. Ataques às instituições democráticas nacionais têm consequências regionais, minam a governança democrática e afetam a estabilidade e os valores compartilhados do Hemisfério", comentou.

"Peso real"

Ex-preso político, líder da oposição e do partido Ruta del Cambio ("Rota de mudança"), Félix Maradiaga afirmou ao Correio que a reação dos EUA é "oportuna e necessária". "O fato de o Departamento de Estado chamar as coisas pelo seu nome e falar de uma ditadura familiar tem peso real. Durante anos, Ortega apostou em passar despercebido e em convencer Washington de que a Nicarágua não merecia atenção. Ao ligar a repressão e a instabilidade causadas pelo regime à segurança regional, Rubio mina essa estratégia", acrescentou. 

Para Maradiaga, a condenação por parte dos EUA, da Costa Rica e de outras democracias deve convergir para uma "estratégia unificada". "Ortega só entende uma linguagem: a do custo. É nosso dever elevar esse custo", defendeu o ex-candidato à Presidência da Nicarágua. O opositor cobra da OEA a declaração de ilegitimidade do regime de Ortega. "Vale lembrar que, em 2021, a organização desconheceu os resultados eleitorais, mas não procedeu à declaração de ilegitimidade. Essa seria, nesse sentido, uma das medidas mai importantes que ela poderia fazer no momento." 

Enrique Sáenz, analista nicaraguense exilado na Costa Rica e ex-deputado, lembrou que, em julho de 2025, a Assembleia Geral da OEA condenou as violações de direitos humanos de Ortega e, simultaneamente, pediu que ele retornasse à organização. "Foi algo incompreensível, um absurdo. Quase ao mesmo tempo, enquanto a OEA aprovava a declaração de censura, a delegação da Nicarágua era eleita para presidir a Associação de Estados do Caribe — pelos mesmos 25 países que, poucas horas antes, haviam condenado Ortega!", disse à reportagem. 

EU ACHO...

Arquivo pessoal - Félix Maradiaga, ex-preso político nicaraguense, principal líder da oposição e presidente da Fundación para la Libertad de Nicaragua

"O chamado de Marco Rubio à conunidade internacional para unir forças somente servirá se traduzir-se em ação coordenada e sustentada: sanções direcionadas ao aparato repressivo e às suas finanças, uma defesa efetiva de presos políticos e de figuras religiosas desaparecidas, e condições claras para qualquer cooperação com Manágua."

Félix Maradiaga, ex-preso político, líder da oposição e do partido Ruta del Cambio ("Rota de mudança")

De la Espriella sofre primeiro revés na Colômbia

Antes mesmo de tomar posse, em 7 de agosto, o presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, amargou a primeira derrota política. O novo Congresso votou contra seu candidato à presidência do Senado, marcando um início adverso na tentativa do ultraconservador de construir maiorias legislativas. Sem partido próprio e com um discurso antissistema, De la Espriella busca apoio dos parlamentares para levar adiante suas reformas.

Na segunda-feira (20/7), ele perdeu uma primeira batalha depois que os 284 membros do novo Congresso, eleitos em março, tomaram posse de seus cargos por um período de quatro anos. Uma vez constituído, o Senado votou contra o candidato de De la Espriella para presidir a Câmara Alta e, em vez disso, elegeu um dirigente do partido do ex-presidente Álvaro Uribe, que nos últimos dias se distanciou do governo eleito.

Em um fato inusitado, a esquerda derrotada no segundo turno da eleição presidencial de 21 de junho passado uniu-se à direita tradicional para derrotar o aliado de De la Espriella. Tradicionalmente, na Colômbia, um aliado do presidente é escolhido como máxima autoridade do Senado para garantir a aprovação de suas primeiras propostas.

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