Privacidade

Cinemas ingleses estudam banir 'óculos inteligentes': entenda polêmica

Associação de Cinemas do Reino Unido aponta preocupação com pirataria e invasão de privacidade. Ao redor do mundo, "câmera espiã" do apetrecho tem gerado críticas

Óculos da Meta permite gravar vídeos em primeira pessoa, tradução simultânea e integração com ferramentas de IA -  (crédito: JOSH EDELSON/AFP via Getty Images)
Óculos da Meta permite gravar vídeos em primeira pessoa, tradução simultânea e integração com ferramentas de IA - (crédito: JOSH EDELSON/AFP via Getty Images)

Salas de cinema do Reino Unido estão implementando políticas para impedir ou restringir o uso de óculos inteligentes, como os da Meta, pelos espectadores durante as sessões. A maior preocupação é de que os acessórios, equipados com câmeras, possam violar o direito à privacidade e impulsionar a pirataria.

A Associação de Cinemas do Reino Unido (UKCA) reconhece que os óculos inteligentes possam beneficiar pessoas com necessidades específicas de acessibilidade, porém afirma que há outras implicações no uso dos apetrechos.

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De acordo com a Associação, em 2025 foram registrados 121 incidentes relacionados à gravações ilegais dentro de cinemas em todo o Reino Unido. Apesar de nenhuma medida proibitiva ter sido aplicada até o momento, a UKCA afirma que muitas salas de cinema estão implementando regras para impedir que imagens sejam registradas dentro dos estabelecimentos.

A aversão aos óculos inteligentes não se restringe apenas às salas de cinema: a famosa cadeia de pubs britânica, Wetherspoons, proibiu o uso do equipamento pelos clientes. O mesmo aconteceu nos teatros londrinos Edinburgh Playhouse e Bristol Hippodrome. 

'Câmera espiã'

Desenvolvidos em parceria com a Essilor Luxottica, os óculos da Meta ganharam notoriedade por serem capazes de gravar vídeos discretamente, através de uma mini câmera acoplada próxima à uma das lentes. Com o apetrecho também é possível interagir com ferramentas de inteligência artificial, enviar mensagens sem usar o celular e até atender chamadas.

Uma luz de led indica que os óculos estão registrando imagens, porém há relatos de usuários que conseguiram desativar a funcionalidade facilmente, tornando impossível saber quando um vídeo está sendo gravado.

A possibilidade de qualquer um ser filmado sem saber tem levantado debates à respeito do direito à privacidade. Recentemente, a ONG alemã HateAid, voltada aos direitos humanos em ambientes digitais, registrou uma queixa-crime contra a Meta por permitir que pessoas sejam filmadas sem consentimento com o equipamento.

Vídeos gravados com "câmera espiã" de óculos da Meta viralizaram nas redes sociais
Vídeos gravados com "câmera espiã" de óculos da Meta viralizaram nas redes sociais (foto: Reprodução/Redes Sociais)

“Há anos, a HateAid vem documentando um número crescente de casos de violência digital baseada em imagens, nos quais mulheres, em particular, são filmadas e retratadas de forma sexualizada”, afirma a organização em nota. 

Com o objetivo de proibir a comercialização dos óculos da Meta na Alemanha, a HateAid afirma que a empresa criadora do Facebook disfarça uma tecnologia de vigilância por trás do equipamento. “Não é incomum que as vítimas descubram anos depois que as imagens estão circulando online, após já terem sido amplamente divulgadas”, diz a nota. 

Item “cool” ou invasão de privacidade?

Enquanto as polêmicas envolvendo a novidade tecnológica aumentam, a Meta tenta dar uma nova cara aos óculos inteligentes. Nos reels do Instagram, não é difícil encontrar conteúdos com a tag “Óculos Ray-Ban Meta”, indicando que o vídeo, gravado em primeira pessoa, foi feito com o equipamento. 

De acordo com a Meta, apenas em 2025, cerca de 7 milhões de unidades foram vendidas em todo o mundo. No Brasil, o óculos modelo Ray Ban custa a partir de R$ 3.900.

Em junho, a empresa lançou um novo modelo em parceria com a influenciadora e empresária norte-americana Kylie Jenner. Além das funcionalidades dos modelos anteriores, o Meta Starfire Kylie Edition conta com a voz de Jenner integrada às ferramentas de inteligência artificial. 

Já no Brasil, a atriz Bruna Marquezine foi a embaixadora da linha de óculos inteligentes. Porém, a parceria rendeu críticas nas redes sociais. “Bruna, por favor não seja garota propaganda desses óculos de tarados”, declarou uma seguidora.

À BBC, o porta-voz da Meta, Tracy Clayton, afirma que os usuários devem utilizar a câmera espiã de forma responsável. “Temos equipes dedicadas a limitar e combater o uso indevido, mas, como acontece com qualquer tecnologia, a responsabilidade final recai sobre as pessoas individualmente para que não a explorem ativamente”, afirma.

 

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postado em 21/08/2026 00:33
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