ESTADOS UNIDOS

Mãe recebe apenas três dias de vida após picadas de aranha

Britagne Miller passou mais de um mês internada depois que um passeio em família terminou em uma sequência de complicações graves

Britagne Miller saiu de casa para aproveitar uma noite ao lado do marido e dos quatro filhos, sem imaginar que aquele passeio mudaria completamente sua vida. Durante uma fogueira às margens do reservatório de Cheney, no estado do Kansas, nos Estados Unidos, ela foi picada por várias aranhas e poucos dias depois, viu sua saúde entrar em colapso. Mais de dois meses após o episódio, Britagne segue em aguardo para um transplante de fígado.

No dia 28 de maio, Britagne estava sentada com a família quando percebeu que diversas aranhas haviam passado por seu corpo. As picadas pareciam não representar um problema naquele momento e ela voltou para casa normalmente. Porém quatro dias depois, uma das marcas começou a inchar rapidamente e deu origem a um hematoma doloroso na panturrilha.

“Aquela ferida não parava de inchar. Parecia que um espeto de metal atravessava minha perna. A dor era como uma facada”, contou em entrevista à emissora americana KAKE.

Ela procurou atendimento médico e foi internada no Hospital Wesley, em Wichita. Os exames mostraram que grandes coágulos sanguíneos haviam se formado na perna e que seria necessária uma cirurgia de emergência.

O procedimento foi delicado porque Britagne já convivia com dois distúrbios de coagulação sanguínea diagnosticados durante uma gestação. Além disso, também apresentava problemas no fígado e alergias a alimentos e medicamentos.

Durante a operação, os médicos retiraram cerca de 300 mililitros de coágulos e instalaram um dreno para auxiliar na recuperação da ferida. 

Cinco dias depois, ela desenvolveu uma infecção por estafilococos e outra causada por uma bactéria gram-negativa. Ao mesmo tempo, seu quadro de insuficiência hepática avançou de forma rápida. Segundo a família, os médicos chegaram a informar que ela poderia ter apenas 3 ou no máximo mais alguns dias de vida e sugeriram cuidados paliativos.

Mas Britagne e a família decidiram continuar lutando pelo tratamento.“Eu pensei em desistir. Cansei das cirurgias, dos exames e da dor. Depois pensei nos meus filhos e encontrei forças para continuar.”

Ela permaneceu mais de um mês internada, parte desse período na unidade de terapia intensiva. Recebeu alta apenas em 11 de julho e desde então, faz acompanhamento constante com especialistas.

Agora Britagne enfrenta um novo desafio. Para receber um transplante de fígado, os médicos precisam primeiro estabilizar seus problemas de coagulação. Até lá, ela realiza exames frequentes e sessões de fisioterapia para recuperar os movimentos da perna afetada.

Embora a espécie responsável pelas picadas não tenha sido identificada, especialistas do caso acreditam que as lesões sejam compatíveis com a aranha-marrom, uma das duas espécies venenosas encontradas no Kansas, ao lado da viúva-negra.

Segundo a Cleveland Clinic, em entrevista à imprensa americana, a picada da aranha-marrom pode provocar desde dor e inchaço até destruição do tecido e infecções graves. Em situações mais raras, especialmente quando o paciente apresenta outras doenças, as complicações podem colocar a vida em risco.

Enquanto Britagne tenta se recuperar, a rotina da família também mudou. O marido, Jake Miller precisou deixar o trabalho para cuidar dela e dos quatro filhos, e familiares criaram uma campanha de arrecadação para ajudar nas despesas médicas e do dia a dia.

“Sabemos que ainda existe um longo caminho, mas acreditamos que um dia tudo isso ficará para trás e ela poderá voltar a fazer o que mais ama, que é ser mãe”, escreveu Jake na campanha de arrecadação.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares

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