ESTADOS UNIDOS

Marco Rubio fará turnê pela América do Sul em defesa da agenda de Trump

Chefe da diplomacia de Donald Trump faz as malas para visita de três dias a Colômbia, Peru e Equador, onde discutirá com governos aliados a estratégia de combate militar norte-americano aos cartéis do "narcoterrorismo"

O secretário de Estado discursa em evento em Washington: América do Sul na mira do governo Trump -  (crédito:  Getty Images/AFP)
O secretário de Estado discursa em evento em Washington: América do Sul na mira do governo Trump - (crédito: Getty Images/AFP)

Com o Brasil entrando na reta final para o primeiro turno da disputa pelo Planalto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, faz na semana que entra uma turnê por três países críticos para os planos anunciados do governo de Donald Trump destinados a recompor a hegemonia histórica de Washington sobre a América do Sul — parte da doutrina geopolítica segundo a qual a superpotência global não pode aceitar concorrentes nas Américas, a região que a diplomacia norte-americana nomeia, oficialmente, como o Hemisfério Ocidental.

Entre a terça-feira, 8 de setembro, e a quinta, Rubio visitará Colômbia, Peru e Equador. Nas duas primeiras escalas da viagem, vai reunir-se com presidentes recém-empossados e afinados explicitamente com a política definida para a América do Sul pelo presidente Donald Trump. Ainda como candidatos, Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori afirmaram compromisso com a proposta de coordenar com os EUA ações militares contra os cartéis de narcotráfico. No poder desde novembro de 2023, o equatoriano Daniel Noboa negocia com a Casa Branca a reativação de bases militares norte-americanas instaladas no país e fechadas durante os governos do esquerdista Rafael Correa.

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"A viagem se destina a discutir o apoio dos EUA à resposta da Colômbia ao terremoto, o reforço da cooperação no combate conjunto ao narcoterrorismo — que ameaça o nosso hemisfério — e os benefícios de relações comerciais mais estreitas entre os nossos países", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, em comunicado enviado à imprensa.  O anúncio se segue à divulgação de um vídeo, no início de agosto, em que a diplomacia estadunidense afirma a determinação de garantir que "o domínio" de Washington sobre o continente, em especial a América Latina, "nunca mais será questionado".

O Departamento de Estado cita, nesse vídeo, a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro deste ano, como o exemplo mais recente da aplicação da nova doutrina norte-americana para o continente. Ela toma como base a Doutrina Monroe, enunciada dois séculos atrás pelo então presidente, James Monroe, e destinada a contrapor a jovem república dos EUA, emancipada do Reino Unido em 1776, como farol para a independência das demais colônias europeias.

O lema "A América para os americanos" é retomado, agora, como afirmação da supremacia dos EUA, em oposição à influência econômica e comercial expandida da China, identificada por Donald Trump como adversária frontal na disputa pela hegemonia global. Inscrita nos documentos oficiais publicados pela Casa Branca em novembro de 2025, definindo a orientação do governo Trump para a estratégia de defesa e segurança nacional, a política é chamada informalmente de Doutrina Donroe, fusão entre o prenome do atual presidente e o sobrenome do autor da estratégia dos anos 1800.

As imagens invocam a operação desfechada em 3 de janeiro por um comando militar de elite, em Caracas, para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Ele e a mulher, Cilia Flores, foram enviados a Nova York, onde respondem agora a processo por "narcoterrorismo". O texto afirma que o episódio, alvo de controvérsia internacional, "envia um forte sinal a todo o hemisfério".

As recentes vitórias eleitorais de De la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru, ambos identificados em campanha, explicitamente, como aliados de Trump, completam uma sequência de êxitos eleitorais do presidente dos EUA contra adversários da esquerda nacionalista que predominou na América do Sul nas duas primeiras décadas do século. Somados a vitórias anteriores no Paraguai e Equador, e depois na eleição de José Antonio Kast, no Chile, os avanços da extrema-direita trumpista na região animam o secretário de Estado, Marco Rubio, a coroar a primeira metade do mandato do presidente com a eleição de um aliado no Brasil, nas eleições presidenciais de outubro.

 


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postado em 05/09/2026 05:00
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