VIOLAÇÃO DE DADOS

Grindr vai pagar R$ 180 mi após acusação de compartilhar status de HIV dos usuários

Empresa repassará o valor em duas parcelas após acusações de envio de dados sensíveis a terceiros para publicidade

Apesar de pagar a indenização, o Grindr não reconheceu responsabilidade legal pelas acusações -  (crédito: CHRIS DELMAS)
Apesar de pagar a indenização, o Grindr não reconheceu responsabilidade legal pelas acusações - (crédito: CHRIS DELMAS)

O Grindr, aplicativo de encontros LGBTQIA+, fechou um acordo de £ 26 milhões, o equivalente a R$ 180 milhões, para colocar fim a uma disputa judicial no Reino Unido envolvendo acusações de que dados pessoais e sensíveis de usuários foram compartilhados com terceiros. Entre as informações que aparecem nas alegações estão o status de HIV, a orientação sexual e a etnia dos usuários.

O caso teve origem em uma ação apresentada em 2024 no Tribunal Superior da Inglaterra e do País de Gales. Posteriormente, a disputa passou a ser tratada como uma ação coletiva, e o escritório de advocacia responsável informou ter reunido mais de 11 mil requerentes.

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De acordo com um documento apresentado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), o acordo foi concluído em 2 de setembro. O Grindr fará o pagamento em duas parcelas de £ 13 milhões, uma até 31 de dezembro deste ano e outra até 31 de março de 2027. 

A empresa, no entanto, não reconheceu responsabilidade pelas acusações. O acordo também não estabelece uma conclusão de que o Grindr tenha cometido as violações apontadas no processo.

Acusações envolvem período anterior a 2020

As alegações apresentadas pelo escritório Austen Hays dizem respeito às práticas de tratamento de dados adotadas pelo Grindr antes de 2020. Naquele período, a plataforma era controlada pela empresa chinesa Kunlun.

O escritório responsável pelo processo sustentou que informações consideradas sensíveis foram compartilhadas com terceiros para fins comerciais, em possível violação das normas britânicas de proteção de dados. Entre os dados mencionados estão informações sobre etnia e orientação sexual.

Os usuários do Grindr também podem informar voluntariamente o status de HIV e a data do último teste realizado. Segundo a plataforma, esse recurso foi criado para combater o estigma, facilitar conversas entre usuários e contribuir para que decisões relacionadas à saúde sejam tomadas de maneira mais informada.

As acusações citam ainda duas empresas de análise de dados, Apptimize e Localytics, que teriam tido acesso a informações dos usuários. A ação sustentava que terceiros poderiam utilizar os dados disponíveis na plataforma para direcionar e personalizar publicidade.

As suspeitas ganharam força após revelações feitas em 2018 de que o Grindr compartilhava determinadas informações pessoais, incluindo dados relacionados ao status de HIV, com empresas de análise. Na ocasião, a companhia defendeu que a prática seguia os padrões do setor, mas posteriormente informou ter interrompido o compartilhamento de informações sobre HIV com essas empresas.

Empresa diz ter mudado práticas de privacidade

O histórico de tratamento de dados da plataforma também resultou em medidas de autoridades reguladoras. O Grindr foi multado em £ 5,5 milhões pela autoridade de proteção de dados da Noruega e, em 2022, recebeu uma advertência do Gabinete do Comissário de Informação do Reino Unido em relação às suas práticas.

Ao anunciar o acordo, a empresa procurou diferenciar as acusações atuais de suas políticas adotadas nos últimos anos. O Grindr afirmou que as práticas mencionadas no processo pertencem ao período anterior a 2020 e que, desde então, promoveu mudanças em seu sistema de proteção de dados.

"Embora o Grindr conteste as alegações, reconhece e admite a angústia e a perda de confiança expressas por alguns de seus usuarios no Reino Unido em relação ao perídoo anterior a 2020."

A empresa também afirmou que reformulou suas políticas de privacidade a partir de 2020 para levar em conta as características específicas de sua comunidade.

"O Grindr é e continua sendo um espaço seguro para os usuários, comprometido com a transparência, o controle do usuário e práticas responsáveis de dados"

O acordo, portanto, encerra a disputa judicial sem que a empresa admita responsabilidade pelas acusações. As duas parcelas previstas serão destinadas às partes envolvidas no processo, com o primeiro pagamento programado para até o fim de 2026 e o segundo para março de 2027.

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postado em 07/09/2026 17:17
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