O Oceano Pacífico reúne três furacões ao mesmo tempo neste fim de semana. Karina, Lowell e Marie estão em diferentes pontos da bacia e seguem trajetórias distintas, mas têm em comum a formação durante uma mesma semana marcada por condições favoráveis ao desenvolvimento de tempestades tropicais.
A atividade chama atenção principalmente pela intensidade que alguns dos sistemas alcançaram. Lowell chegou ao nível máximo da escala de furacões, enquanto Karina também atingiu uma categoria elevada antes de começar a perder força. Marie, por sua vez, continua se fortalecendo próximo à costa oeste do México.
O comportamento dos sistemas ocorre em um Pacífico com temperaturas acima da média, condição associada ao atual episódio de El Niño. O fenômeno altera as condições do oceano e da atmosfera e pode fornecer mais energia para a formação e o crescimento de tempestades.
Lowell muda de direção e se aproxima do Havaí
Entre os três furacões, Lowell é o que mantém maior potencial de preocupação para o Havaí. Depois de alcançar a categoria 5 na última quarta-feira (2/9), o sistema perdeu intensidade e está na categoria 3. A previsão do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) indica que Lowell deve mudar gradualmente de trajetória. Em vez de continuar apenas em direção ao oeste, o furacão tende a fazer uma curva para o norte durante o fim de semana.
Com isso, a tempestade poderá passar próximo de Oahu e Kauai. A previsão não indica necessariamente uma passagem direta sobre as ilhas, mas a proximidade pode levar chuva intensa e outros efeitos associados ao sistema. A situação ganha relevância porque o Havaí ainda enfrenta as consequências de episódios recentes de chuva forte e enchentes. A saturação do solo aumenta a vulnerabilidade a novos volumes elevados de precipitação.
Karina perde intensidade
Karina também chegou a níveis elevados de intensidade nos últimos dias, mas agora apresenta uma tendência diferente. O sistema caiu da categoria 3 para a 2 enquanto avançava pelo Pacífico, a leste das ilhas havaianas. A expectativa do NHC é que o furacão continue enfraquecendo nas próximas 48 horas. A projeção reduz a possibilidade de que Karina provoque impactos mais significativos sobre o arquipélago.
A situação é diferente para Marie. O furacão está localizado a aproximadamente 640 quilômetros da Península da Baja Califórnia e ainda apresenta intensificação. A previsão é de que o sistema provoque condições marítimas adversas durante o fim de semana, com ondas fortes na costa sudoeste do México e na Baja Califórnia. O sul da Califórnia também pode registrar efeitos relacionados à passagem do furacão.
A trajetória de Marie, no entanto, é distinta da observada nos sistemas que se aproximam do Havaí, mantendo o furacão concentrado na região leste do Pacífico.
Por que o oceano mais quente favorece os furacões?
A explicação para a intensidade das tempestades passa pelas condições do Pacífico. Durante o El Niño, a temperatura da superfície do mar fica acima da média em determinadas áreas do oceano. Esse calor adicional aumenta a quantidade de energia e de umidade disponível para a atmosfera.
Furacões dependem justamente desse combustível para se desenvolver. O calor da superfície do mar favorece a evaporação da água, enquanto a umidade e a energia transferidas para a atmosfera podem alimentar a organização e o fortalecimento dos sistemas tropicais.
A NOAA acompanha de perto a evolução do atual El Niño e avalia que o fenômeno pode alcançar uma intensidade histórica. Caso as projeções se confirmem, o episódio estará entre os mais fortes já observados.
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