MANIFESTAÇÕES

França: atos contra inflação reúnem 500 mil e deixam 1 morto e 2 mil presos

Iniciados por estudantes, atos contra cortes sociais reuniram 500 mil pessoas e se espalharam por várias cidades

Prefeitura histórica de Limoges, com 143 anos, teve o telhado destruído após incêndio criminoso durante os distúrbios -  (crédito: Melaine Payzal/AFP)
Prefeitura histórica de Limoges, com 143 anos, teve o telhado destruído após incêndio criminoso durante os distúrbios - (crédito: Melaine Payzal/AFP)

Uma onda de manifestações contra a inflação e os cortes nos serviços públicos terminou com uma pessoa morta, mais de 600 policiais feridos e cerca de 2 mil detenções na França. Os protestos, realizados no sábado (17/10), reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades e provocaram confrontos com as forças de segurança, além de depredações e incêndios. Neste domingo (18/10), equipes trabalhavam para avaliar os prejuízos.

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, boa parte das manifestações ocorreu pacificamente, mas grupos de manifestantes entraram em confronto com a polícia.

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Em Paris onde a única morte foi registrada em decorrência de um ataque cardíaco, estabelecimentos comerciais tiveram vitrines destruídas, enquanto bicicletas incendiadas e pichações foram encontradas em diferentes pontos da capital.

A mobilização começou há cerca de um mês, inicialmente liderada por estudantes que reivindicavam melhorias nas condições das escolas e denunciavam a falta de professores em regiões periféricas.

Com o passar das semanas, os atos ganharam adesão de outros setores da população, insatisfeitos com o aumento do custo de vida, a desigualdade social e a redução dos investimentos em serviços públicos.

Incêndios e saques

Entre as cidades atingidas, Limoges registrou alguns dos danos mais expressivos. Um incêndio criminoso destruiu parcialmente a prefeitura, instalada em um edifício histórico de 143 anos.

As chamas começaram após um veículo da polícia municipal ser incendiado diante do imóvel e se espalharam pela construção, provocando o desabamento do telhado sobre os pavimentos inferiores. Apenas a ala oeste escapou dos maiores danos.

A violência também atingiu residências e estabelecimentos comerciais. Em uma das ocorrências, pessoas mascaradas invadiram a casa de um representante do governo local. Thomas Cazenave, prefeito de Bordeaux, relatou ainda que aproximadamente 100 lojas foram saqueadas durante os distúrbios.

Na capital francesa, os atos que haviam começado sem confrontos terminaram em episódios de vandalismo e embates entre manifestantes e agentes de segurança. Os prejuízos levaram as autoridades a iniciar levantamentos dos danos causados ao patrimônio público e privado.

Governo promete punições

A dimensão dos confrontos provocou uma reação do governo francês, que condenou a violência e anunciou medidas contra os responsáveis pelas depredações.

O presidente Emmanuel Macron se manifestou nas redes sociais e declarou que não há "espaço para violência na República".

Em uma publicação no X, o chefe de Estado afirmou que os envolvidos na destruição de prédios públicos e estabelecimentos comerciais deverão responder pelos atos.

"Aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos", escreveu Macron.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também condenou os episódios e garantiu que o Executivo não será "intimidado" pelas manifestações violentas.

Ele atribuiu os distúrbios à "extrema esquerda" e a criminosos comuns. A crise ocorre em um período de tensão política, com as eleições presidenciais francesas previstas para o próximo ano.

Além das medidas de segurança, o governo anunciou iniciativas para auxiliar os comerciantes prejudicados. O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio aos estabelecimentos atingidos e afirmou que os responsáveis pela destruição "pagarão e repararão os danos".

Em Marselha, o prefeito Benoît Payan também anunciou a liberação de ajuda financeira emergencial para os empresários que sofreram prejuízos.

A insatisfação com a situação econômica não ficou restrita à França. No mesmo sábado, Portugal, Itália, Bélgica e Espanha também registraram manifestações contra o aumento do custo de vida e os preços da moradia.

Veja mais imagens dos danos provocados pelos protestos em cidades francesas:

1) 

O prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de uma loja danificada na avenida Jean-Médecin, em Nice
O prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de uma loja danificada na avenida Jean-Médecin, em Nice (foto: Valery Hache/AFP)

2) 

Imagem mostra manequins, objetos e um cartaz com os dizeres "A Geração Z acorda vocês" espalhados pelo chão, um dia após protestos em todo o país contra o "alto custo de vida"
Imagem mostra manequins, objetos e um cartaz com os dizeres "A Geração Z acorda vocês" espalhados pelo chão, um dia após protestos em todo o país contra o "alto custo de vida" (foto: Matthieu Rondel/AFP)

3) 

Trabalhadores instalam tábuas de madeira na fachada de uma loja após a quebra de suas vitrines
Trabalhadores instalam tábuas de madeira na fachada de uma loja após a quebra de suas vitrines (foto: Matthieu Rondel/AFP)

  •  This photograph shows a fire burning and destroying the city hall after a group of individuals forced entry into the building during ongoing protest action against the
    Prefeitura histórica de Limoges, com 143 anos, teve o telhado destruído após incêndio criminoso durante os distúrbios Foto: Melaine Payzal/AFP
  • O prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de uma loja danificada na avenida Jean-Médecin, em Nice
    O prefeito de Nice, Eric Ciotti, passa diante de uma loja danificada na avenida Jean-Médecin, em Nice Foto: Valery Hache/AFP
  • Imagem mostra manequins, objetos e um cartaz com os dizeres
    Imagem mostra manequins, objetos e um cartaz com os dizeres "A Geração Z acorda vocês" espalhados pelo chão, um dia após protestos em todo o país contra o "alto custo de vida" Foto: Matthieu Rondel/AFP
  • Trabalhadores instalam tábuas de madeira na fachada de uma loja após a quebra de suas vitrines
    Trabalhadores instalam tábuas de madeira na fachada de uma loja após a quebra de suas vitrines Foto: Matthieu Rondel/AFP
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postado em 18/10/2026 18:33
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