ELEIÇÕES

Análise: esqueça o voto em legenda; escolha um candidato

Como os candidatos precisam de uma votação mínima para serem eleitos, se você decidir votar em um partido, está abrindo mão de ajudar um nome da sigla escolhida a ficar mais próximo de superar a barreira eleitoral

Roberto Fonseca
postado em 30/09/2022 05:54 / atualizado em 30/09/2022 05:55
 (crédito:  Ed Alves/CB)
(crédito: Ed Alves/CB)

A eleição de 2022 entrará para a história como a de maior polarização existente em nível nacional. As mais recentes pesquisas eleitorais indicam que nove em cada 10 eleitores, em média, escolheram e não pretendem mudar de candidato para presidente da República. Se na corrida pelo Planalto, a disputa está cristalizada, há, no entanto, outros cargos em jogo e são onde as surpresas costumam ocorrer.

Veja bem os dados da última pesquisa Correio/Opinião, divulgada na segunda-feira. Praticamente metade das 1.099 pessoas entrevistadas disseram não ter escolhido candidato para deputado federal (46,8%) nem distrital (45,8%). É muita gente indecisa. Considerando que são cargos onde há uma grande pulverização de votos, não estranhe o leitor se "desconhecidos" conseguirem uma arrancada de última hora e conquistarem uma cadeira no Legislativo.

Assim, a dois dias de irmos às urnas, é necessário tocar em um ponto importante. Na disputa proporcional — Câmara dos Deputados e assembleias estaduais, no caso do Distrito Federal é a Câmara Legislativa —, novas regras estarão em vigor, como o fim das coligações partidárias. Mas há mais uma que chama a atenção: a necessidade de uma votação mínima para que candidatos sejam eleitos. A rigor, é preciso que seja 10% do quociente eleitoral, mas, neste ano, o índice é ainda maior. Quando chega a hora de distribuir as cadeiras pelas sobras eleitorais, passa para 20% do quociente eleitoral.

Dessa forma, é preciso ter em mente que o voto em legenda não é uma boa escolha. Como os candidatos precisam de uma votação mínima para serem eleitos, se você decidir votar em um partido, está abrindo mão de ajudar um nome da sigla escolhida a ficar mais próximo de superar a barreira eleitoral. Outro ponto importante é que os puxadores de votos, como se ocorreu com o palhaço Tiririca em eleições anteriores, perdem cada vez mais a força. Eles podem, sim, contribuir para um partido conquistar mais cadeiras, mas se a votação ficar muito concentrada nele e os colegas de legenda não atingirem o patamar mínimo, as vagas passam para outra sigla.

O meu candidato a distrital, por exemplo, já escolhi. Olhei os partidos e optei por um nome que vai precisar de votos para atingir os 10% do quociente eleitoral. Para federal, ainda não faço a mínima ideia de quem será o escolhido — faço parte ainda dos indecisos, sim. Decidirei nas próximas 48 horas. Faça o mesmo, não anule o voto nem deixe em branco. Converse com amigos, escute familiares. Poder votar em qualquer candidato e em quem deseja é uma das grandes vantagens da democracia.

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