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FUTEBOL

Artigo: Série A terá campeão culposo

A contar de 2006, quando a Série A passou a ter 20 times, tivemos pelo menos três edições apertadas na 33ª rodada

O campeonato até então modorrento deste ano ficou empolgante -  (crédito: Lucas Figueiredo/CBF)
O campeonato até então modorrento deste ano ficou empolgante - (crédito: Lucas Figueiredo/CBF)
postado em 11/11/2023 06:00

Há quem embarque no discurso oportunista de que estamos diante do melhor Brasileirão na era dos pontos corridos. Recomendo senso crítico contra os clichês. Vivemos o tempo de padrões de excelência rasos, pouco ou nada criteriosos. Quase tudo é "melhor", "maior", "top". A Série A nivelada por baixo pode ter desfecho emocionante, sim, mas com um campeão culposo (sem a intenção de conquistá-la).

A contar de 2006, quando a Série A passou a ter 20 times, tivemos pelo menos três edições apertadas na 33ª rodada. Palmeiras (2009), Fluminense (2010) e Corinthians (2011) somavam 58 pontos. Menos que os 59 de Botafogo, Palmeiras e Grêmio na jornada equivalente. Todos viam concorrentes no retrovisor e também era o "melhor da história".

O campeonato até então modorrento deste ano ficou empolgante. Culpa de um líder incompetente. É inadmissível despencar na classificação como faz o bipolar Botafogo. Líder disparado do primeiro turno com 47 pontos, e vice-lanterna no segundo com 12.

Em jejum há 28 anos, o Glorioso encerrará o Brasileirão sob a batuta do quarto técnicos diferente: Luis Castro, Cláudio Caçapa, Bruno Lage, Lúcio Flávio e um novo profissional procurado por John Textor. Sociedades Anônimas do Futebol também erram feio. A SAF do lanterna América-MG está rebaixada para a segunda divisão. A do líder Botafogo se comporta com inacreditável amadorismo. Gabarita os pré-requisitos para "entregar" o título.

De repente, o vice-líder Grêmio virou referência. O tricolor gaúcho sonha com o fim da fila de 27 anos porque tem um fora de série: Luis Suárez. O time de Renato Gaúcho é ruim, desajustado. Ostenta o melhor ataque com 57 gols. Em contrapartida, exibe a quarta pior defesa. Sofreu 49! Supera o rebaixado América-MG, o Coritiba e o Santos. Acumulava quatro rodadas sem vencer. Agora, tem chance de ser campeão.

O Palmeiras é exaltado pela regularidade — um dos itens de segurança dos pontos corridos, porém o time de Abel Ferreira não é referência. Perdeu oito vezes em 2023 contra apenas três na conquista de 2022. Outra vantagem alviverde era a segurança defensiva. A equipe tomou 27 gols na edição passada inteira. Acumula 30 nesta. Seis deles nas últimas três exibições pelo Brasileirão: três do Botafogo e três do Flamengo.

Há quem encha a bola do Red Bull Bragantino, porém o time do técnico Pedro Caixinha treme em jogos relevantes. Perdeu para o Atlético-MG, no Nabi Abi Chedid. Amargou derrota para o São Paulo na última quarta, quando teve oportunidade de assumir a liderança.

É justo premiar um Flamengo colecionador de vexames neste ano no Mundial de Clubes, Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Copa do Brasil, Carioca e na Libertadores? Ou um Atlético-MG que passou oito rodadas sem vencer?! Por essas e outras, não confunda melhor campeonato com mais empolgante. Nivelado por baixo.

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