ARTIGO

Visão do Correio: Economia e felicidade

O Relatório Mundial da Felicidade destaca a influência determinante da economia na sensação de bem-estar das pessoas

economia -  (crédito: Reprodução/Freepik )
economia - (crédito: Reprodução/Freepik )
postado em 18/03/2024 06:00

Desigualdade econômica, problemas de saúde pública e educação, corrupção e violência são desafios enfrentados pelo Brasil que, superados ou ao menos reduzidos, poderiam deixar a população mais feliz. A partir de dados do Gallup World Poll, a World Happiness Foundation (WHF) organiza o Relatório Mundial da Felicidade, que destaca, entre outros itens, a influência determinante da economia na sensação de bem-estar das pessoas.

A pesquisa avalia fatores como o Produto Interno Bruto (PIB) per capita e outros itens como generosidade e apoio social impactam nos cidadãos. Países com maiores índices de desigualdade econômica tendem a ter menor sentimento de felicidade.

Para o presidente da WHF, Luis Gallardo, a percepção de corrupção no país é identificada como um fator que mina a confiança nas instituições públicas, afetando negativamente o bem-estar social. Os dados se baseiam na escala Cantril, na qual os participantes classificam suas vidas de 0 a 10, o que faz com que a análise desses números forneça uma compreensão mais profunda das razões pelas quais determinados países obtêm ou não pontuações elevadas no ranking da felicidade.

O investimento nos setores de saúde e educação também são preponderantes. Tristes os países que não conseguem reunir esforços para essas duas áreas – seja por falta de recursos, seja por não acreditarem em projetos como esses –, variáveis que fortalecem a dignidade da população, abrindo oportunidades de trabalho e senso crítico para fazer escolhas mais positivas.

No último levantamento, divulgado em 2023, a Finlândia foi considerada o país mais feliz do mundo, pelo sexto ano seguido. Na sequência, vêm Dinamarca, Irlanda, Israel e Holanda. Diante do conflito com o Hamas, pode ser que os israelenses tenham modificado a percepção deles. O Brasil ocupou o 49º lugar. Caiu 11 posições, atrás de nações como Uruguai, Chile, Nicarágua e Guatemala.

Faltam passos gigantescos para que o poder público brasileiro — e aqui estão os ministérios da Saúde e da Educação, bem como as secretarias estaduais e municipais — se mobilize numa grande corrente em prol da sociedade.

Cabe destacar ainda o significativo envolvimento do brasileiro nas redes sociais, que pode funcionar como uma ferramenta poderosa para promover políticas de bem -estar. Essa abordagem estratégica envolveria a utilização das redes como um meio eficaz de comunicação e engajamento com a população, permitindo que as autoridades governamentais alcançassem e envolvessem um grande número de pessoas nas discussões.

As redes sociais podem ajudar na disseminação simultânea de informações, no diálogo aberto e na participação ativa dos cidadãos na formulação e implementação de políticas voltadas para o bem-estar da sociedade. Métodos como campanhas de conscientização, enquetes públicas, transmissões ao vivo de eventos e debates, compartilhamento de informações relevantes sobre saúde, educação e oportunidades econômicas.

O Brasil sabe a receita: reduzir as disparidades econômico-sociais, ampliar as oportunidades de emprego, de vagas nas escolas públicas em todos os níveis e desenvolver políticas públicas de segurança são alguns dos ingredientes. É enorme o desafio, e longo o caminho a ser percorrido até o país ganhar destaque como referência em 20 de março, eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) o Dia Internacional da Felicidade.

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