ARTIGO

Violência de gênero nas escolas

Ainda subestimada ou mal compreendida, a violência de gênero contra meninas nas escolas é praticada por meninos, outras garotas e até por professores

. -  (crédito: Freepik)
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Mais uma jornada escolar tem início. Uma parte das instituições particulares já retomou as aulas, outra parte e unidades públicas voltam agora em fevereiro. Para muitos estudantes, é um retorno normal; já outros são tomados pela angústia, porque o local em que deveriam se sentir seguros é, na verdade, um ambiente hostil, especialmente por causa do bullying, nem sempre combatido efetivamente por estabelecimentos de ensino.

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Mas vou me ater aqui a uma forma de agressão apontada na pesquisa "Livres para sonhar: percepções da comunidade escolar sobre violências contra meninas", divulgada no fim do ano passado pela ONG Serenas.

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O levantamento apresenta dados sobre a violência de gênero no contexto educacional, que contribui para que meninas se sintam constrangidas, intimidadas e mesmo impotentes ante os episódios. Há vários recortes. Um deles aborda a violência baseada no gênero praticada por meninos contra colegas, que se manifesta na forma de comentários constantes sobre o corpo e o comportamento delas, xingamentos, contatos físicos forçados e exposição não consentida da intimidade.

Um quarto dos professores ouvidos no estudo afirma que acontecem com frequência situações em que alunos — e até mesmo alunas — chamam colegas de "vagabunda", "vadia" ou similares. E 23% dos docentes relatam o mesmo sobre estudantes sexualizando meninas por conta da roupa ou do comportamento delas. O assédio — diz a pesquisa — também é praticado por quem deveria orientar e proteger. "Não são raros os relatos de professores que se comportam de forma inadequada e abusiva com alunas."

De acordo com as informações, entre os meninos, a violência de gênero acontece por meio da imposição de normas rígidas de comportamento, sob pena de terem sua masculinidade colocada em dúvida. "Na prática, o que vemos é reprodução de comportamentos machistas e violentos e naturalização como 'brincadeiras'. Quem não participa dessas dinâmicas, assim como quem manifesta qualquer tipo de emoção ou sofrimento, pode ser ofendido e até excluído do grupo", ressalta o texto.

A pesquisa ouviu 1.400 pessoas — estudantes, professores e lideranças educacionais — das cinco regiões do país. O intuito é fomentar o debate sobre prevenção de violências de gênero na educação. Segundo destaca a ONG, esse tipo de agressão "ainda é subestimada ou mal compreendida pelas redes de ensino; há resistência institucional em abordar temas considerados 'sensíveis'; e faltam preparo, apoio e diretrizes claras para que educadores se sintam seguros e amparados ao enfrentar essa realidade".

 

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postado em 29/01/2026 06:00
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