ARTIGO

Sem autorização

Tenho profunda admiração pela obra e pela postura cívica de Caetano Veloso desde que foi apresentado ao Brasil no histórico Festival TV Record de 1967

Caetano Veloso em ato contra PL da Dosimetria no RJ -  (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Caetano Veloso em ato contra PL da Dosimetria no RJ - (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Tenho profunda admiração pela obra e pela postura cívica de Caetano Veloso desde que foi apresentado ao Brasil no histórico Festival TV Record de 1967, quando interpretou Alegria alegria. No ano seguinte, ele e Gilberto Gil escreveram uma pungente composição intitulada Divino maravilhoso, que a saudosa Gal Costa defendeu, com muita garra, no mesmo certame.

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Numa atitude roqueira, a dona da mais bela voz da música popular brasileira mandou ver: "É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte...". É bom lembrar que, à época, o Brasil vivia dias sombrios, nos chamados anos de chumbo.

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Em texto  publicado recentemente no Correio Braziliense (dia 28 último), o porta-voz do general João Baptista Figueiredo, o último presidente do ciclo da ditadura militar, se derramou em elogios num artigo intitulado Caminhando com Nikolas. Obviamente, ele se referia a uma das  lideranças da ultra-direita na Câmara dos Deputados que promoveu ato político em defesa do ex-presidente da República, preso na Papudinha — por razões que são sobejamente conhecidas no país.

Não creio que Caetano tenha tomado conhecimento do citado artigo. Mas, se bem o conheço, certamente o cantor e compositor baiano, representante da geração de ouro da música popular brasileira, ao lado de Chico Buarque, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Milton Nascimento e Edu Lobo, não gostaria de ter trecho de Alegria alegria utilizada sem sua autorização. 

Quem também, certamente, não daria aprovação seria Paula Lavigne, a mulher do ídolo, que, já há algum tempo e sempre atenta, tem mostrado tenaz e necessário envolvimento com as causas progressistas, principalmente aquelas ligadas à classe artística.

Ao escrever este artigo me veio à lembrança, de forma aleatória, fato ocorrido num dos meus primeiros dias como estudante de jornalismo, em agosto de 1968. Foi quando presenciei agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), no período da ditadura militar, que se caracterizava pela perseguição e tortura, invadirem o câmpus da Universidade de Brasília e prenderem Honestino Guimarães.  Até hoje, oficialmente, é desconhecido o paradeiro do então líder estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes. 

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postado em 03/02/2026 06:00
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