Artigo

Tenho meu candidato e estou em campanha

Da festa do Oscar à festa da democracia, teremos um caminho cheio de emoções, com promessas de raios e trovoadas

O ator Wagner Moura, protagonista do filme 'O Agente Secreto', e vencedor do prêmio Globo de Ouro, no último dia 11 de janeiro -  (crédito: Reprodução/TV Globo)
O ator Wagner Moura, protagonista do filme 'O Agente Secreto', e vencedor do prêmio Globo de Ouro, no último dia 11 de janeiro - (crédito: Reprodução/TV Globo)

Eu já havia avisado que seria insistente neste espaço ao falar sobre O agente secreto. Não se trata de repetir o óbvio — sim, o filme é um assombro de bom. Trata-se, antes de tudo, de acariciar a cultura brasileira, reconhecer o talento, agradecer pelo que temos de incrível no nosso país e, sobretudo, torcer despudoradamente. Já estou em campanha e com o coração em festa.

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Um ano após a lindíssima campanha do filme Ainda estou aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional, além de outras indicações e prêmios, o filme do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho é indicado a quatro estatuetas em 2026, igualando o recorde de Cidade de Deus, em 2004. O longa vai concorrer a Melhor seleção de elenco, Melhor filme internacional, Melhor ator (para Wagner Moura) e Melhor filme. A cerimônia ocorrerá em 15 de março, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Devemos lembrar, ainda, de outro brasileiro no páreo: Adolpho Veloso é um dos favoritos na categoria Melhor Fotografia com Sonhos de trem.

Já me vejo em pé, na frente da TV, com o coração aos pulos, aguardando os anúncios e festejando. Todos nós merecemos um momento assim antes de embarcarmos em uma difícil e exaustiva campanha eleitoral. Da festa do Oscar à festa da democracia, teremos um caminho cheio de emoções, com promessas de raios e trovoadas. Até por isso, na minha previsão de tempo, viverei intensamente a campanha do Oscar até que ele decrete nossa vontade e que o filme de Kleber, Wagner, Alice Carvalho, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Wagner Moura, Emilie Lesclaux, entre outros, volte pra casa com uma ou mais estatuetas.

Eu era uma adolescente no Recife quando surgiu a história da perna cabeluda, uma lenda urbana dos anos 1970 que ganhou status de notícia a ponto de se perpetuar na memória da cidade. Como todo folclore, une medo e humor, tornando-se símbolo de um tempo em que a censura pesava e o jornalismo, assim como a arte, dava seus pulos para seguir revolucionário e crítico. Incorporada ao filme, agora "nascida" da barriga de um tubarão, a perna cabeluda vira metáfora de um país aos pedaços, estilhaçado por chumbo e terror, que precisava de artifícios como denúncia.

A perna cabeluda tornou-se um código para driblar o silêncio. Silêncio esse que também foi elemento importantíssimo e terrivelmente opressor na ditadura. Tanto Ainda estou aqui quanto O agente secreto mostram a ditadura sobre outro cenário e prisma. Um no ambiente doméstico; outro numa cidade nordestina, sendo muito simplista aqui. Mais do que cenas explícitas de torturas, que os críticos de plantão se ressentem em não ver, a ditadura militar operou na vida cotidina, envolta em silêncio, medo e mistério. O que tem de real nessas ficções é um espanto! Saibamos ver e torcer. 

 

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postado em 25/01/2026 06:00
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