O Congresso retoma as atividades legislativas em um ano com cronograma praticamente reduzido pela metade e sinais de que as eleições devem ser prioridade para os parlamentares durante todo o 2026. Tradicionalmente, há um esvaziamento da Casa a partir de julho — quando deputados e senadores passam a concentrar os esforços nas campanhas para o pleito federal. Considerando o teor da pauta legislativa e o roteiro que vem sendo seguido pelos parlamentares há bastante tempo, é claro que a disputa eleitoral sequer tirou férias e dificilmente entrará de recesso neste primeiro semestre.
Há, por exemplo, mais de 70 vetos presidenciais a serem analisados conjuntamente por deputados e senadores. Entre eles, temas explosivos e com forte apelo eleitoral, como o PL da Dosimetria e o veto a emendas parlamentares previstas no Orçamento de 2026. O primeiro prevê a redução das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pela tentativa de golpe de Estado e foi vetado na íntegra pelo presidente Lula no último dia 8. A oposição sinaliza que não vai medir esforços para aprovar o que classifica como tema central para a pacificação do país, nas palavras do líder da oposição do Senado, Izalci Lucas, e também uma das principais bandeiras da disputa eleitoral.
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Mais direto, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva, afirmou ao Correio que a prioridade da bancada "é derrubar o presidente Lula no Congresso", tendo como uma das estratégias pressionar os presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre para a convocação da sessão conjunta para a análise dos vetos presidenciais o quanto antes. Alcolumbre deu início às atividades legislativas, ontem, enfatizando que o Brasil precisa de diálogo e que a Casa não abrirá mão da prerrogativa e autoridade do Parlamento.
Na mesma linha, Motta reafirmou que cabe ao plenário "fazer valer a prerrogativa constitucional do Congresso de destinar as emendas parlamentares aos rincões Brasil afora". O deputado listou outras prioridades do ano. Entre elas, a PEC da Segurança Pública, o combate ao feminicídio e o debate sobre o fim da escala 6x1. Todos temas de interesse público e que não podem, erroneamente, ter a condução contaminada pela guerra de narrativas e engajamento.
Também retomando as atividades, o Judiciário não está imune à batalha eleitoral antecipada. Sob o escrutínio dos magistrados há pautas sensíveis — como o desdobramentos das investigações do caso do Banco Master (incluindo a elaboração de um Código de Conduta específico para a Corte), e o avanço do uso de tecnologias, sobretudo as baseadas em inteligência artificial (IA), nas campanhas eleitorais. O presidente do Supremo, Edson Fachin, externou o desejo de que se inicie entre os Poderes um período de "convivência harmônica e independente, com equilíbrio institucional".
Mas, pela cerimônia de abertura do ano do Judiciário, pode-se concluir que há muito trabalho pela frente. Lula esteve presente, fez defesa efusiva ao papel do Supremo na preservação da democracia e, diante de Motta e Alcolumbre, reafirmou a importância da punição dos golpistas com o rigor da lei. Pouco antes, os parlamentares estavam em sessão solene no Plenário Ulysses Guimarães, dando início ao trabalho legislativo deste ano. O chefe do Executivo não compareceu.
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