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Oh, Minas Gerais! Quem te esquece não vence jamais

Numa República, os interesses maiores de uma nação não podem ser negligenciados em função de interesses particulares desta ou daquela unidade federativa

Belo Horizonte, Minas Gerais -  (crédito: Flickr/Carlos Reis)
Belo Horizonte, Minas Gerais - (crédito: Flickr/Carlos Reis)

ÁLVARO DAMIÃO, prefeito de Belo Horizonte

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Votar, decidir, influir. Minas precisa ser respeitada, ouvida e atendida. Até as emas do Palácio da Alvorada e as capivaras da Lagoa da Pampulha sabem que em todas as eleições presidenciais pós-redemocratização só foram eleitos os candidatos que venceram em Minas Gerais. Este ano não será diferente.

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Analistas, adivinhos, marqueteiros e alquimistas — além das velhas e novas raposas da política — ensaiam explicações, buscam respostas e não chegam a um consenso quanto a este fenômeno. Minas são muitas. Poucos a conseguem decifrar.

Entre um cafezinho e um pão de queijo, o mineiro dá um boi para não entrar numa briga, mas dá uma boiada para não sair dela. Os ideais de liberdade de um povo, vindos da Conjuração de Tiradentes, marcam a trajetória de uma gente que não se dispersa. As montanhas mineiras são como trincheiras para um estado que sempre esteve na linha de frente em todos os períodos marcantes da história do país.

Juscelino fez o Brasil desenvolver 50 anos em 5. Tancredo deu sua vida para devolver o país ao caminho da democracia. Itamar, patrocinando um plano econômico que vigora até hoje, e José Alencar, dando equilíbrio e governabilidade, foram vozes de Minas que ocuparam muito bem os seus espaços.

Numa República, os interesses maiores de uma nação não podem ser negligenciados em função de interesses particulares desta ou daquela unidade federativa. Mas, na vida real, os consensos são construídos a partir de disputas, eles não acontecem ao sabor dos ventos ou pelo determinismo do destino.

Minas Gerais, com seus 853 munícipios e uma área territorial menor apenas que a do Amazonas, Pará e Mato Grosso, conta com pouco mais de 30 municípios com mais de 100 mil habitantes. Cerca de 500 cidades tem menos de 10 mil moradores. BH e região metropolitana contam com cerca de 6 milhões de pessoas.

Desses números surgem dois grandes desafios que precisam ser enfrentados simultaneamente. A atenção especial às centenas de pequenos municípios, com seus problemas e suas vocações regionais e ações imediatas na capital mineira e no seu entorno com projetos estruturantes que pensem não apenas em fazer o que deveria ter sido feito no passado, mas realize desde já o que a cidade vai precisar nos próximos 20, 30 ou 50 anos.

Um Sistema Único de Mobilidade que integre ônibus, metrô, VLT não pode ser adiado. Isto demanda projetos, planejamento, recursos e vontade política. Demos um grande passo ao receber do DNIT a gestão do Anel Rodoviário, hoje uma grande avenida que corta a cidade. Viadutos e passarelas darão segurança e fluidez ao trânsito, bem como o gargalo para a entrada na BR-381 é demanda muitas vezes anunciada e sempre adiada.

Saúde e educação são investimentos em vidas humanas. Defender o SUS com unhas e dentes não implica em desconhecer que o financiamento da saúde pública precisa sempre melhorado. De cada 1 real colocado no orçamento de BH para este ano, 31 centavos são destinados à saúde. Mas as demandas crescem sempre além das receitas. Na Educação a ampliação das parcerias com o governo federal são prioritárias. Neste quesito BH é uma referência para o Brasil no atendimento as crianças na rede pública municipal.

As referências citadas neste artigo são pequenos tópicos para ilustrar que o país precisa discutir projetos, e não debater preconceitos. O país precisa crescer e repartir. Uma nação de 220 milhões de habitantes não pode se conformar com muros separando os que têm tudo dos que nada têm.

Aqui, de meu lugar como prefeito, não ficarei omisso. Mas quem tem prazo não tem pressa. Não sou candidato a nada em outubro. Tenho minhas opções pessoais que não colocarei à frente dos interesses maiores de Minas e do Brasil.

Do ciclo do ouro ao nióbio e às terras raras. Do minério de ferro ao melhor café do planeta. Das terras de Minas saem infinitas riquezas. Está na hora de Minas receber de volta o muito que já deu e continua dando para o país. A eleição de outubro é um novo passo. Que Minas seja contemplada com a importância que ela tem e que ela merece.

 


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postado em 10/03/2026 06:02
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