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Caso Master-BRB: até agora a maior vítima é a verdade

Como se fosse um roteiro de novela de TV, a trama se desenrrola arrebanhando personagens de diferentes escalões da Praça dos Três Poderes

O banco público obteve autorização do Tesouro Nacional para vender carteiras de crédito que continham empréstimos com o aval da União -  (crédito: Joédson Alves/Agência Brasil)
O banco público obteve autorização do Tesouro Nacional para vender carteiras de crédito que continham empréstimos com o aval da União - (crédito: Joédson Alves/Agência Brasil)

» FRANCISCO BALESTRIN Presidente da Federação e do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde de SP (FESAÚDE e SindHosp)

Dados oficiais confirmam, sem muito esforço, que nunca se viu, em tão pouco tempo no Brasil, tantas versões contraditórias ao redor de um caso como esse que envolve o extinto Banco Master e o já desgastado Banco de Brasília (BRB). Desde que veio a público a Operação Compliance Zero, em 25 de novembro de 2025, deflagrada pela Polícia Federal com a prisão de Daniel Vorcaro, o país assiste, cada um com a sua ótica, a um fantástico show de horrores, com informações desencontradas, fontes oficiais desmentidas por gabinetes da república, conflitos nos bastidores dos tribunais e uma indisfarçável disputa político-econômica, no qual o ego exarcebado e os sinais evidentes de corrupção exalam um mau cheiro pertubador.

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Como se fosse um roteiro de novela de TV, com episódios diários gerando suspense e expectativa a todas as tribos, a trama se desenrrola arrebanhando personagens de diferentes escalões da Praça dos Três Poderes em Brasília, e com coadjuvantes de peso de governos estaduais, ou, principalmente, do Governo do Distrito Federal, responsável direto pela existência do BRB.

Os fatos até agora revelados, com o processo em andamento, abalam estruturas nunca dantes questionadas. Já beirando os quatro meses na tela dos grandes temas em debates, que a comunidade acompanha com apreensão, o balanço dessa encrenca registra dados que chamam a atenção e arremetem para um resultado final imprevisível, e com certeza pra lá de polêmico.

Além de Vorcaro, outros envolvidos estão atrás das grades. CPIs agendam depoimentos, e o volume de autoridades citadas, ou com seus nomes expostos a especulações, criam um cenário de terra arrasada, sinalizando, talvez, que o ano de eleições promete doses de tensão e temperatura elevada. Também no arquivo dessa história, há que se registrar a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário contratado a preço de ouro, segundo a PF, como pistoleiro de aluguel. Daí a devida dimensão ao caso. Página negativa a mais na nossa prateleira de coisas mal resolvidas, a cada ano adquirindo itens que nada consagram, desmerecem apenas.

Para analistas políticos e autoridades policiais próximas às investigações, a movimentação financeira até agora comprovada e gerada por essa operação Master-BRB é a maior já registrada no Brasil, e surpreende até os mais habituados a lidar com operações do gênero. O que mais impressiona, dizem esses especialistas, é a fácil constatação da elástica lista de pessoas ilustres e famosas de alguma forma lincadas à pessoa de Daniel Vorcaro, ao que tudo indica um facilitador de negócios, pronto a aumentar a fortuna, atropelando normas legais estabelecidas pelo Banco Central e o mecanismo de ação do sistema econômico do país.

Acuado pela Justiça, a primeira ação efetiva de Vorcaro foi recorrer à rede de pessoas influentes junto do ambiente político e de grupos empresariais em Brasília e outros estados, revelando, a partir daí, uma verdadeira rede de proteção, a qualquer preço. Sem que haja contra eles nenhuma acusação formal de irregularidades cometidas, é evidente o desconforto dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com seus nomes citados em supostas gravações ou mensagens de aparelho celular, todas elas de forma a permitir insinuações nada republicanas.

Na mesma faixa de procedimento, aparecem os nomes do governadordo Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do senador Ciro Nogueira, do presidente da Câmara, Hugo Motta, e uma série de outros, igualmente incomodados. O que se tem agora é uma série de troca de acusações, tentativas de proteção a personalidades com influência política e amparo financeiro robusto.

Com a campanha eleitoral batendo à porta de partidos e candidatos, nada de pior poderia ter acontecido do que essa maratona de fatos, que, de uma forma ou de outra, fatalmente exigiria posicionamentos. Pesquisas eleitorais sobre as próximas eleições começam a pipocar com mais intensidade, e algumas parecem já refletir os estragos que o caso Master apressa em provocar. Muita coisa acontecendo, menos a verdade, ansiosa pra acontecer. 

 


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postado em 11/03/2026 06:00
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