
Um dos nomes de maior expressão da cena do samba no Brasil, há algum tempo, é Teresa Cristina, que tem atuado com destaque em diversos ambientes, inclusive o da mídia. Ela é uma das apresentadoras do Samba na Gamboa, veiculado pela EBC; e pode ser vista, também, à frente da série Nos bares da vida, disponível nas plataformas digitais.
No período da pandemia de covid-19, a cantora carioca se tornou conhecida como Rainha das Lives. O À frente, programa que obteve grande audiência, contou com a participação virtual de nomes consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Maria Bethânia e Marisa Monte, e obteve enorme audiência.
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Teresa acaba de chegar às plataformas digitais com Jessé — As Canções de Pagodinho, álbum no qual celebra o bamba de Xerém, de quem é admiradora notória. Ao fazer o registro, ela buscou fugir do óbvio, optando por composições menos conhecidas,entre as quais Falsa alegria, Meu poeta, Mutirão do amor, Pisa como eu pisei e São José de Madureira. Anteriormente, havia lançado 24 discos — dois deles em homenagem aos mestres Cartola e Paulinho da Viola, compositores os quais sempre teve como referência.
Conheci Teresa no começo da década de 2000, quando ela era uma reluzente estrela da Lapa, bairro boêmio no centro do Rio de Janeiro, enquanto cantora do bar Semente. À época, fiz contato com Jorge Ferreira, dono do bar e restaurante Feitiço Mineiro, que a trouxe para fazer alguns shows naquele estabelecimento, na 306 Norte, de saudosa memória.
Um outro lugar em que se apresentou aqui, na capital federal, o Terraço Shopping (Setor Octogonal Sul), onde foi recebida por uma entusiasmada plateia, ao fazer o show Cartola: Um poeta da Mangueira, acompanhada pelo violonista Carlinhos 7 Cordas, em 18 de de fevereiro de 2016. No final de dezembro último, a cantora foi a principal atração da Última batucada, que movimentou a Arena Conic.
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Além dos shows de Teresa que assisti aqui na cidade, estava na plateia de apresentações dela no Rio de Janeiro. Uma delas foi no Samba do Trabalhador, projeto, com característica de resistência cultural, que Moacyr Luz produz e comanda no Clube Renascença, no Andaraí, bairro vizinho à Tijuca, no qual conta com a participação de sambistas de diferentes gerações.
Numa outra vez, fui assisti-la no Centro Cultural Carioca, onde cumpria uma temporada. Quem estava na plateia, prestigiando-a, era Marisa Monte. Como tinha uma certa intimidade com ambas, no intervalo do recital, sugeri a Teresa que convidasse à colega de ofício para dar uma canja. E não é que isso acabou ocorrendo?! A plateia foi ao delírio, ao ouivi-las em duo, interpretar três sambas. Saí dali com a alma lavada e enxaguada.

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