ELEIÇÕES 2026

Eterna bolha: Lulismo e bolsonarismo impedem o crescimento da terceira via

Nova pesquisa revela que o sentimento de "percepção de risco" domina o eleitorado, reforçando o abismo entre lulistas e bolsonaristas para outubro

"O Brasil caminha para mais uma eleição marcada pelo confronto direto entre dois campos bem definidos, com pouca margem para alternativas competitivas, a chamada terceira via" - (crédito: Whisk/Google IA)

Em uma semana marcada pela desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., da corrida presidencial e da intensificação da disputa entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado por ser o nome de centro nas eleições de outubro, a mais recente pesquisa eleitoral, a AtlasIntel, nos traz um retrato nítido do que nos espera pela frente: um Brasil profundamente dividido, na continuidade de um processo que já se arrasta por ciclos eleitorais sucessivos. A polarização entre lulismo e bolsonarismo permanece como eixo estruturante da política nacional, com poucos sinais de arrefecimento.

Os números falam por si. A avaliação negativa (ruim/péssimo) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva volta a se aproximar de 50%, atingindo 49,8%, em linha com o patamar observado no primeiro semestre do ano passado. Mais do que um dado isolado, trata-se de um indicativo de desgaste persistente, impulsionado agora com o aumento do preço dos combustíveis.

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No campo eleitoral, a pesquisa traz um cenário interessante, com a repetição hipotética do embate de 2022. Nesse caso, Jair Bolsonaro aparece com 44,8%, contra 42,7% de Lula. A margem é estreita, mas suficiente para indicar que o eleitorado segue rigidamente dividido. A novidade, porém, surge na simulação de segundo turno com Flávio Bolsonaro, em que o senador ultrapassa Lula por uma diferença dentro da margem de erro: 47,6% a 46,6%. É a primeira vez que isso ocorre, sinalizando uma possível reorganização interna no campo da direita.

Tudo indica que a candidatura de Flávio se beneficia de dois fatores principais: a manutenção de um "teto" robusto do bolsonarismo e uma sequência de eventos desfavoráveis ao governo federal, que vão desde crises de imagem até tentativas de associação a escândalos, como o caso Master e o INSS.

Ao mesmo tempo, chama a atenção o dado de que 47,4% dos entrevistados se dizem preocupados com a reeleição de Lula. Trata-se de um indicador relevante, pois revela não apenas intenção de voto, mas percepção de risco. Curiosamente, essa apreensão encontra paralelo no receio em relação à vitória de um candidato ligado ao bolsonarismo, o que reforça a ideia de um eleitorado dividido até mesmo em suas preocupações.

Ressalto, porém, que é preciso cautela na leitura desses números. A metodologia utilizada, baseada em recrutamento digital durante a navegação, é alvo de críticas entre analistas políticos. Embora o modelo busque reduzir o viés da interação presencial, ele levanta questionamentos sobre representatividade e controle da amostra. Nesse contexto, a comparação com levantamentos de institutos tradicionais, como Datafolha e Quaest, será fundamental para validar tendências.

O que já podemos cravar, no entanto, é que o Brasil caminha para mais uma eleição marcada pelo confronto direto entre dois campos bem definidos, com pouca margem para alternativas competitivas, a chamada terceira via. A persistência da polarização empobrece o debate público. Ideias novas não surgem, o que reduz a complexidade dos problemas nacionais a disputas binárias e dificulta a construção de uma coletividade.

 

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postado em 27/03/2026 06:00
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